Um Quarto Empoeirado…

assin-marisa-costa

 

 

 

 

(São Paulo – SP)

casaraoUm mergulho nas janelas do passado e reminiscência na pele da alma reeditaram lembranças. Sua memória não era curta, apesar de esquecer nomes. Elizabeth vivia de acreditar e acreditava.

Ingênuamente a sonhar, um desejo romântico trouxe adereços que adornavam um quarto de menina.

Perfume de alfazema pairava no ar.

O som de risadas infantis ecoava pelos quatro cantos da casa se misturando à paz de beijas flores entrando e saindo pelas janelas de madeira pintadas de azul.

Na varanda, orquídeas em cestas penduradas, nos peitoris das janelas. Algumas desabrochando em copas cor-de-rosa, outras em sinos perolados emprestavam ao ar um cheiro de ternura e leveza.

O olhar de Elisabeth se deteve diante de uma das portas do velho casarão. Abriu-a. Sim, era ali o seu quarto. Num canto, um sofá revestido de tecido de flores delicadas, abrigava uma senhora, ─ sua avó, Materna,  “sim, era ela” ─ ensinava à menina uma receita caseira para deixar o medo num lugar distante antes das longas noites escuras.

Da posse contemplativa, Elizabeth extraía o máximo de prazer  daquele quarto de menina, onde só o sonhar era permitido, até as imagens sumirem no túnel do tempo.

Hoje, no quarto empoeirado, nem velho, nem míope, o olhar não envelhecera.

As coisas simples do mundo ─ e por isso mais belas ─ brilhavam por trás da boniteza de fitas e rendas penduradas na borboleta de enfeite, tão real quando um fantasma pode ser.

2 comentários em “Um Quarto Empoeirado…

  1. A descrição do cenário é muito bem feita. Janelas, perfume, som, flores, etc. se posicionam em condições ideais para formar o palco da cena: “as coisas simples do mundo” – Parabéns escritora!

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