Um Conto do Destino

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(Goiânia – GO)

caixa-de-cartas-post-box-1425080Numa cidade distante, uma moça observava a amiga, enquanto ela escrevia uma carta para um amigo, o protagonista desta história. Ela então, se queixou de nunca receber cartas, não tinha com quem corresponder. A amiga sugeriu que ela escrevesse para ele, e colocasse dentro do envelope daquela carta. O inesperado foi que ela gostou da sugestão, pegou um papel e se pôs a escrever para o rapaz. Dias depois, ao abrir a carta, o rapaz encontrou a cartinha dela. Leu-a, cautelosamente, não disfarçando certa curiosidade. Havia um pedido. A moça queria trocar correspondências com ele, e perguntava se seria possível. Morria de inveja da amiga que recebia muitas missivas, enquanto ela não recebia nenhuma. Seus argumentos foram convincentes e o convenceram. Ele ficou encantado. Criou um mundo de ilusões em torno daquela estranha moça. E entre tantos pensamentos, imaginou que algo muito especial poderia acontecer em sua vida. Imediatamente, lhe respondeu. A moça ficou contente com a resposta, finalmente, teria alguém com quem trocar correspondência. E logo lhe enviou uma carta cheia de palavras retas e certas, precisas, palavras bonitas e meigas. Durante os minutos da leitura o rapaz se transformou. Todo o tédio da sua existência dissipou-se. E, quanto menos eles esperaram, em pouco tempo já se correspondiam regularmente. Com isso, o rapaz começou a se interessar por um relacionamento mais sério. Pois, descobrira que em poucos meses, sentia o coração bater mais acelerado todas as vezes que recebia as cartas dela. Porém, eram cartas, que embora cheias de ternura e sinceridade, traziam sempre a preocupação de que aquele relacionamento não poderia passar de uma bela amizade e que não se transformaria em outro sentimento. Apesar de não conhecê-la, essa sua posição o desconsertava, pois sentia algo mais que uma simples amizade. Num belo e calmo dia de janeiro ela chegou a sua cidade. Ele estava lá. Soube da sua chegada e ficou alegre. Foi informado pelos amigos que a noite haveria uma festa no clube e que a moça estaria lá. Finalmente, ele iria conhecer a moça com a qual durante três anos, trocara cartas e nenhuma fotografia. Logo que chegou a festa, ele viu duas moças com a amiga das cartas. O interesse surgiu, mas não sabia qual era a das cartas. Ele as observava com muito interesse, com uma curiosidade de detetive. A noite ia passando e a ansiedade aumentando, tanto que o rapaz não tirava os olhos delas, queria descobrir qual das duas era sua missivista. Até que, vencendo a timidez, foi ao encontro delas. Ele se aproximou e as apresentações foram feitas. Depois, relaxado, o rapaz pôde ver o quanto ela era graciosa, não apenas por causa da beleza simples, mas também pela sua capacidade de conversar o que ele já sabia pelas cartas. Tinha um corpo leve e firme, cabelos longos e negros como a noite; pele morena clara com pequeninas pintas escuras de sardas. Seus olhos eram brilhantes e elétricos. Seu rosto redondo conferia um ar de felino, mas afável. Ela sorriu para ele. Algum tempo depois, ele tomou coragem e a chamou para dançar. Ela sorriu como quem estivesse esperando ouvir aquilo. Sorriso discreto, tímido, olhar sincero. E a noite seguiu. Surgiu uma conversa. As palavras foram-se montando, as frases foram tomando a melhor forma para cativá-la. Embora, neste momento, não precisassem de palavras, os olhares e o toque discreto seriam mais do que necessários. Talvez até rolasse há muito tempo um sentimento mútuo. A noite continuou, ele não aguentando, se declarou apaixonado. Ela sorriu e disse que gostou muito de tê-lo conhecido. No outro dia novo encontro, novos passeios, outras conversas. Depois de uma semana, veio a hora da despedida. Com os corações acelerados apertaram-se as mãos e se abraçaram. Depois, ela beijou-lhe no rosto e foi-se embora, como num sonho. O rapaz demorou-se por alguns dias inquieto, esperando uma carta dela, fantasiando enredos, sonhando encontrá-la na rua e deparar-se com seus olhos brilhantes e elétricos. Mas eram enredos curtos de sonhos que acabavam sempre, sem que ele sentisse o gosto do beijo daquela moça que estava tão longe e fora das suas possibilidades. Passados alguns dias, o rapaz recebeu uma carta e, assim passaram a corresponder como namorados. Eram cartas cheias de carinhos e saudades. Não havia mais as fugas e despistes. Suas cartas faziam-no acreditar ser possível amar. Três anos depois do começo dessa história, a moça mudou-se para a cidade onde ele morava, para trabalhar e estudar. Os primeiros anos deles juntos foram ótimos. Ele gostava do seu jeito apressado de encarar as coisas. Mas aos poucos, sem pressa, ficaram íntimos e noivos. O dia do casamento chegou. Ela estava mais bela do que nunca; parecia uma princesa dos contos de fadas. Ele encantado, não cabia em si de tanta felicidade. Sempre acontecem histórias de amor, assim. As pessoas acham que nunca vão acontecer com elas, até que um dia, o destino as surpreende. Assim, aconteceu com o rapaz desta história, quando uma surpresa escondida numa carta o fez encontrar a mulher de sua vida.

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