Trágico Destino

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(Santa Brígida – BA)

 

destinoFoi precisamente na cidade luz, situado no interior da fabulosa Bahia de todos os santos e encantos, que fora tecido os fios de algodão do branco destino. Os tecelões confabulavam com as estrelas sobre os primórdios dias de uma brusca fatalidade. O condão, este senhor cheio de peripécias, por muitas vezes nos prega das suas, com Ataíde da Mota Júnior não foi diferente.

Ataíde era um desses caboclos metidos a galanteador, dado muito a festa e namoricos com as ingênuas moçinhas, em especial, as dos povoados circunvizinhos a Paulo Afonso. Assim sendo, era típico encontrá-lo nos finais de semana, no qual Zezinho da Ema iria tocar sua sanfona.

Fora durante um desses forrós que o jovem paquerador conheceu a linda Carmelita. Uma jovem de soberba beleza, de olhar agateado, dona das mais sensuais e perigosas curvas, mais perigosas de que as curvas de Santos, os seus lábios carnudos eram convidativos ao beijo.

A beldade morena era um tanto ingênua e sonhadora. Daquelas que sonhava com o tal príncipe encantado, como nos contos de fada, e por Ataíde se apaixonou perdidamente. E assim que terminou o baile, o jovem casal seguiu viagem até a ilha verde, e ali, seduzida Carmelita foi parar num motel, e se entregou de corpo e alma. Inexperiente a jovem beldade cor de jambo, não deu a devida importância ao preservativo e engravidou.

Aflita buscou avidamente pelo jovem galante que fugiu veementemente da sua responsabilidade. E assim sendo, e com medo de represálias por parte da família de Carmelita, ele fugiu para a grande São Paulo. A bela morena ficou entregue a sua própria sorte, sabia que não poderia esconder aquela gravidez por muito tempo, no entanto temia a reação de seu pai, pois se tratava de um homem extremamente violento.

O tempo transcorreu de forma brusca e inesperada. Carmelita foi expulsa de casa e passou a morar com uma tia. Aos quatorze anos, em plena adolescência foi mãe, e deu a luz uma linda menina que trouxe presa ao seu cordão umbilical a sorte, ou seja, a falta dela, de nascer sem a presença paterna a afagar-lhe com carinho.

Enquanto tudo isso acontecia na Bahia, em São Paulo Ataíde desfrutava da plenitude de seus dezessete anos. Eis que ele vivia feliz na grande metrópole. Era festas e mais festas e grandes curtições. Era de forma boêmia que o Ataíde vivia, e assim os anos foram transcorrendo o seu curso na historia do mundo e das coisas em sua volta.

Os anos foram passando, e quinze anos haviam transcorrido no véu do tempo, agora o Ataíde estava completando exatamente trinta e dois anos. E para comemorar seu aniversário, nada melhor que festança regada a luxuria. Assim fora, juntamente com os amigos mais chegados, a boate Malibboll.

A noitada começou extasiante, do jeito que ele gostava, com muita bebida e avalanche de mulheres. Lá por volta das três horas da manhã, e já um tanto embriagado ele viu numa jovem da boate, a beleza efêmera da linda morena cor de jambo do passado, e agarrando-a pelo braço, a levou para o quarto e lá fizeram amor.

Aos passar de alguns dias, Ataíde retornou a boate, procurou pela jovem morena de dias anteriores. A mulher loira com a qual ele falava apontou para uma mesa ao canto do salão. Ele se dirigiu até o local e chegando lá encontrou a bela morena.

Aproximou-se, a cumprimentou com um leve beijo na face, foi naquele momento que ele se apercebeu de o quanto era jovem aquela prostituta. Ele pediu um drink e ficaram conversando por alguns minutos. Tempo suficiente para Ataíde conhecer a triste história que levara aquela adolescente a prostituição. Ela contou que seu nome era Camila, tinha quatorze anos e que fugira de casa, no interior da Bahia para correr o mundo em busca de seu pai.

Sensibilizado com a tristonha historia contada pela jovem, ele quis saber qual a cidade da qual ela veio. A bela menina afirmou que fugira da casa de uma tia de sua mãe, que residia na cidade de Paulo Afonso. Ela afirmou ter fugido com um caminhoneiro que a deu carona em troca de sexo. Eis então, não sei se para demonstrar compaixão, Ataíde quis saber o nome dos pais daquela beldade.

 – A minha mãe é Carmelita, quanto ao meu pai que ainda não conheço, pois me abandonou na barriga de minha mãe, ela me contou que o nome dele é Ataíde da Mota Júnior – Afirmou entre soluços a linda garota.

Ataíde ficou atônito ao ouvir a pronuncia do seu próprio nome, vinda dos lábios da jovem prostituta com a qual se deitara algumas noites atrás. Levantou-se como que hipnotizado, sem rumo e sem direção, ele não percebeu que estava feito louco, indo na contra mão da rodovia Dutra. E assim nunca teria tempo de se aperceber, pois uma enorme carreta o esmagou como a quem se esmaga a um verme.

Carmelita com os olhos arregalados pela perplexidade pode ver o fatídico acidente que culminou com a vida daquele homem. Pobre garota, não sabia o terrível segredo guardado no âmago do trágico destino que a esperava. Quando foi divulgada a identidade do atropelado ficou horrorizada ao tomar conhecimento que aquele cidadão era o pai pelo qual saiu no mundo a sua procura.

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