Reencontrando a Pequena Manuelle

 

 

 

 

(Bauru – SP)

É noite de sábado, Douglas está em seu quarto deitado sobre a cama, perdido em doloridas lágrimas, lembrando-se de sua preciosa filha. Dos belos momentos felizes que viveu ao seu lado. Faz cinco anos que ela partiu, e sua ausência trouxe um grande sofrimento para Douglas. Mas nesta noite ele está decidido a encontrá-la de novo.

Douglas enxuga as lágrimas, veste um agasalho em razão do intenso frio que está fazendo. A morada de sua filha fica a quatro quarteirões de sua casa. Ao fechar o seu antigo domicílio, do qual ele está decidido a nunca mais voltar, Douglas caminha com um semblante de tristeza e muita dor até o local para se encontrar com Manuelle.

A única coisa que ele deseja é viver ao seu lado novamente.

Finalmente ele chega á casa de sua filha, um melancólico cemitério. Sim, faz cinco anos que Manuelle faleceu. Douglas jamais superou a morte dela, e hoje ele decidiu acabar com esta maldita dor.

Após pular o muro, ele tira do bolso uma faca com a qual pretende se matar em cima do túmulo de sua filha. Neste momento, Douglas sente o peso de uma culpa que ele não superou, um trauma que ele tenta esquecer. De repente ele vê uma garota correndo, gritando por socorro e segundos depois ouve o disparo de uma arma, a menina vai ao chão e ele corre apavorado até ela, era a sua filha. Manuelle pergunta porque ele fez aquilo, Douglas a abraça e pede perdão por não ter conseguido salvá-la, ele chora angustiado enquanto a menina desaparece de seus braços.

Algumas vozes o acusavam de ter matado a garota. O sofrimento o domina por completo. Ao chegar ao túmulo de Manuelle, Douglas se ajoelha sobre ele. Começa a chorar intensamente, olha para o céu e pede perdão a Deus. Consumido pelo desespero, fecha os olhos e seu coração acelera, recorda-se do dia da morte de Manuelle, triste dia em que a sua filha foi assassinada enquanto estavam reabastecendo o veículo em um posto de gasolina. Dois motoqueiros pararam na frente do carro e anunciaram o assalto, desesperado e sem saber o que fazer, Douglas acelerou para tentar fugir, mas um dos ladrões atirou no veículo e a sua filha foi atingida. Mas no final de sua lembrança algo o perturba, um detalhe do qual ele havia apagado de suas recordações, mas que dessa vez voltou novamente em suas memórias lhe causando sofrimento, Douglas se vê sentado em uma das motos segurando a arma que matou Manuelle.

Nesse momento ele entra em desespero, diz pra si mesmo que não matou a sua filha e pede perdão para ela. Depois de gritar de dor, ele corta os pulsos e deita sobre a sepultura de Manuelle, chora pelas mentiras que criou de si mesmo, se recorda da verdade sobre a morte da menina, e se culpa por isso. Seu sangue se espalha pelo chão e Douglas morre cheio de feridas dentro de si, e o silêncio reina novamente no local.

No dia seguinte:

Um homem chamado Túlio caminha em direção ao cemitério e chegando ao portão ele se surpreende com seis pessoas em volta de um túmulo. E percebe que havia um corpo todo ensanguentado sobre aquele túmulo. Reconhecendo o lugar, o homem acelera os passos para descobrir o que estava acontecendo. Quando finalmente ele chega até o corpo, seu coração acelera de desespero. Espantado ele pergunta:

– Meu Deus, o que houve aqui? O que aconteceu?

– Ainda não sabemos. Mas parece que foi um suicídio. Encontramos essa faca ao lado do corpo.

– Suicídio? Mas, por que ele decidiu se matar justo nesse lugar? Porque ele fez isso?

Uma mulher a sua frente, com semblante de curiosidade, pergunta para ele:

– Porque você está estranhando ele ter se matado aqui? Você conhece a pessoa que está enterrada nessa sepultura?

– Sim, claro que conheço.

Todos olham curiosos para Túlio, e numa só voz, a maioria pergunta para ele quem era a pessoa que estava enterrada ali. E com um tom entristecido e cheio de dor, Túlio responde:

– Ela….ela é minha filha, seu nome é Manuelle. Ela foi morta há um ano atrás em um assalto enquanto eu estava reabastecendo o meu carro em um posto de gasolina, os ladrões não foram pegos até hoje, sofro de saudade pela morte de minha filha. Só queria entender a razão desse homem ter cometido suicídio bem em cima do túmulo de Manuelle.

 

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