Podia Ser Eu, Tu, Ele

 

 

 

(São Lourenço – MG)

A avenida estava lotada, o vai e vem de carros era intenso dando pra definir esse viver incessante, impetuoso, onde as pessoas, inúmeros seres se acotovelam num frenesi incompreensível. Seria possível naquele meio houvesse alguém sensível, que entendesse os fatos vividos aqui nesse planeta, ou o próprio ser humano?

— Entender tudo isso é relativo, responderia algum especialista no assunto. Para entender as pessoas esse especialista se fosse ligado a alguma religião, se acreditasse no sobrenatural, continuaria explicando:

— Nestes bilhões de seres humanos, todos possuem alma, algo envolto em mistério, os fatos acontecem por uma razão.

E pra cumprir a explicação não muito longe dali, num matagal imenso, um gari percebe algo no mato, parece que lhe veio uma mensagem na mente tem alguma coisa importante ali. Ele vai conferir, viu uma criança, estupefato diz em voz alta:

— Uma boneca, Mas que perfeição, parece criança de verdade!

Constatou ser um recém nascido, menino robusto totalmente nu no meio do mato. Tudo indicava que a criança havia nascido a poucas horas, até o cordão umbilical estava mal cortado, entretanto a criança dormia calmamente. E pensar que naquele mesmo instante milhares de crianças que acabavam de nascer em hospitais até mesmo com cuidados de ultima geração estavam aos berros e aquela criança abandonada no lugar impróprio permanecia calma e uma tranquilidade transparente.

E agora! Os meios burocráticos deverão achar um meio para que aquela vida continue a viver. Aquela mente adquirirá as informações necessárias para que não entre em ebulição, se perca num labirinto sem achar uma saída? As resposta estão aí na realidade incontestáveis: só o tempo dirá! Podia ser eu, tu, ele, eu pelo menos diria se minha mãe não me amasse não estaria mais aqui, se não sentisse o amor estaria completamente arrazado.

Mas muitos afoitos poderiam colocar duas saídas para aquele ser que foi realmente abandonado, desprezado justamente por aquela que deveria ampará-lo. A saída do amor ou a saída do ódio.

O caminho do ódio naturalmente seria não perdoar a mãe por causa do abandono. Esse sentimento tem tanta força, que transformaria essa criança futuramente um ser maléfico, a sede de vingança tomaria conta de sua mente, talvez tudo que estivesse em sua volta sofreria as consequências, até ela seria completamente destroçada, mais um monstro que esse mundo ganharia…

O caminho do amor é completamente inverso, a criança abandonada daria seu perdão para a mãe desnaturada. Poderia sentir uma dorzinha lá no íntimo, aliás é de toda natureza humana, mas pra que julgar, não se sabe o momento de decisão terrível daquela mãe. Em lugar de vingança o amor inundaria todo seu ser, tudo que estivesse em sua volta, sentiria essa luz irradiante.

Há! E o mundo teria mais um ser de luz, de beleza indescritível, pode-se lembrar daquele menino que nasceu pobre numa manjedoura, não foi abandonado pela sua mãe, pelo contrário foi amado magnificamente, Jesus nasceu completamente pobre. Ele transformou o mundo, mesmo os que não o seguem (não cristãos) são irradiados pelo seu sentimento de amor. Foi ele que declarou: o ser humano pode fazer de tudo nessa vida, mas se não tiver o amor nada é válido!…

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