A Aia

 

 

 

 

José Maria Eça de Queiróz (Portugal  *1845 – +França 1900)

Era uma vez um rei, moço e valente, senhor de um reino abundante em cidades e searas, que partira a batalhar por terras distantes, deixando solitária e triste a sua rainha e um filhinho, que ainda vivia no seu berço, dentro das suas faixas.

A lua cheia que o vira marchar, levado no seu sonho de conquista e de fama, começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros apareceu, com as armas rotas, negro do sangue seco e do pó dos caminhos, trazendo a amarga nova de uma batalha perdida e da morte do rei, trespassado por sete lanças entre a flor da sua nobreza, à beira de um grande rio. (mais…)

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A Mulher da Janela

 

 

 

 

(Maringá – PR)

Em uma cidadezinha do interior, uma mulher debruçada na janela de casa observa o ir e vir das pessoas pela rua, o voar e revoar das andorinhas pelos telhados, o entrar e sair da gente no mercado da esquina, e atenta às novidades do dia a dia de cada vizinho que por ali passasse, como se até onde sua vista alcançasse fosse a extensão de seu quintal, um vasto reino em que ela cuidaria da vida de cada passante. (mais…)

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Bola Perdida

 

 

 

 

(Conceição do Mato Dentro – MG)

No campo de terra batida do bairro, muito novo ainda, descobriu que o drible, além de um momento mágico, era tudo de que precisava para se dar bem na vida, quer fosse para desvencilhar-se da marcação dos zagueiros e fazer o gol, quer fosse para fugir dos garotos maiores e cheios de más intenções…   (mais…)

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O Lorde

 

 

 

 

(Povoeiras – Tocha – Coimbra – PT)

 

Ainda sem ver o mundo, sentia no entanto o instinto da disputa pelo leite materno com seus irmãos. Todos juntinhos, mas cada um numa competição de sobrevivência, tentavam abocanhar a teta materna, num frenesim acompanhado de pequenos latidos, mais parecidos com choro de bebes rezingões, quando deparavam que a sua fonte de alimentos já se esgotara ou estava ocupada pelo parceiro mais lampeiro. (mais…)

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Olha o Trem

 

 

 

 

(Pelotas – RS)

Mais um dia estava começando. Uma jornada de trabalho findando. Estava cansado. A noite fora longa.

Maio é um mês que o frio e a umidade da região já começam a formar denso nevoeiro.

Não gosto de nevoeiro. Encobre tudo ao redor. O céu, as estrelas, a lua e até os pensamentos.

O cérebro parece que esvazia, o barulho da máquina vai tomando conta e nos hipnotizando. (mais…)

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Mágoas na Carne e na Alma

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

 

Formado por modestas instalações o pequeno e simplório salão de barbeiro localizado no ponto final da linha de bondes elétricos em um bairro pobre da cidade grande estava resumido a duas cadeiras profissionais da marca “Irmãos Campanile”, aparadores onde se sobrepunham os utensílios de trabalho, espelhos fixados à frente e alguns assentos de esperar como itens principais. A parede maior, em outros tempos recebera uma demão de cal, agora riscada pelo roçar dos encostos dos bancos de espera mostrava alguns quadros de madeira que emolduravam fotografias em preto e branco. (mais…)

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