Ilusões Perdidas

Flavio Dias Semim

Fryda orgulhosamente exibia ao diretor da FUNAI o seu diploma da escola normal que lhe licenciava como professora primária. Sua disposição em alfabetizar índios viera há algum tempo quando, encantada pelo romance O Guarani, de José de Alencar, ficara perdidamente apaixonada pelo selvagem Peri e decidira partir ao encontro de um índio com as mesmas características, porém real.

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Arte na Praça

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(Presidente Prudente – SP)

download (3)A costumeira caminhada matutina pelas ruas da cidade tinha como itinerário a travessia da praça central. Contornando o chafariz, a marcha trazia como fator principal a habitualidade, sob um sol brilhante ou frio suportável. Sempre observando detalhes, o homem foi surpreendido, naquele dia, por um ruído surdo e confuso, um quase murmúrio e procurou saber a origem, sem sucesso. Não deu importância ao episódio até o dia seguinte quando o fato se repetiu no mesmo local. Atento, incrédulo, ouviu uma voz sumida:

─ Amigo, amigo, até que enfim alguém me atendeu! Olhe para cima, não aguento mais essa situação. Ajude-me, por favor.

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Vovó Bia e o Tapete Mágico

Antonio Roque Gobbo

— Vovó, a senhora nunca vai acabar de fazer essa toalha?

A curiosidade de Doralice, aos onze anos, é insaciável. Pergunta sobre tudo o que vê e até o que não vê mas imagina.

— Não é toalha, não, queridinha. Estou fazendo um forro com franjas para aquela esteira de índio que o Alfredinho trouxe lá do Amazonas.

— É uma esteira mágica? — Pergunta a garota, cuja imaginação não tem limites.

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TÁXI

Pinio Cesar Giannasi

(Um conto em bandeira 2, devido ao avançado da hora)

  Madrugada.

  Choveu quase a noite toda, e agora que trens e ônibus não circulam, resta-nos recolher os incautos que, sob os mais ridículos argumentos, acenam e se safam de pernoitar no trabalho.

  Cuidado com desajustados sociais, noctívagos que vagueiam por aí neste horário, olho clínico para não ser surpreendido. Mas, hoje é quarta-feira, espero que meus habituais clientes já estejam prontos.

  Sempre estão.

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Defronte ao Mar de Iparana

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Icaraí

Helder Felix

Fortaleza – CE

Deitado em uma rede, defronte ao mar de Iparana, rememoro em flashes recortados a imagem que vi em uma sexta-feira qualquer. Estava eu dentro de uma sardinha de aço, ferro e plástico que comumente chamamos de automóvel quando de repente me deparei, após parar o carro em um semáforo para pedestres, com um grupo de homens, principalmente velhinhos, dispostos em círculo irregular no canteiro central de uma das principais avenidas de nossa terra alencarina.

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