Os Ursos e a Primavera

 

 

 

 

 

(Santo Estevão – BA)

O dia acorda na maior euforia, toda a natureza com seus trajes domingueiros, era festa na floresta, as flores tratavam de se vestirem para receber a primavera. A rosa cuidou logo de colocar seu vestido vermelho aveludado com apliques de gotas serenadas, o girassol querendo ser tão grandioso quanto o sol se trajou com o amarelo mais vibrante que encontrou.

E foi aquela correria cada flor querendo ser a mais bela, por toda a colina formava o mais lindo cenário, parecia um arco-íris de tantas cores vibrantes. Passarinhos brincavam de balanço nos galhos fininhos que se moviam com o sabor do vento que soprava para espalhar o aroma das flores saudando a nova estação. Borboletas saiam dos seus casulos num leve bater de asas deixando o ar multicolorido.

E os beija-flores com seus bicos alongados corriam de um lado outro retirando o néctar fresquinho pelo sabor da manhã. As abelhas que foram obrigadas a partirem em busca de trabalho voltavam com seus apetites vorazes dispostas a construírem muitas colmeias com favos do mais adocicado mel da região.

Os ursos que moravam ali bem no alto da colina onde o sol brincava entre as folhas insetos que voejavam sobre o frescor da relva fazia daquele lugar o mais lindo cenário da floresta. O urso pai trabalhava como sapateiro e fazia sapatos para todos os moradores da floresta do rato a centopeia, do besouro a borboleta que usava sapatinhos de veludo em suas patinhas.

A mamãe ursa era costureira e cuidava da arrumação da casa enquanto a vovó ursa preparava o almoço trazido pelo pançudo vovô urso que as tardes depois de encher a pança deitava nas sombras e roncava parecia uma locomotiva de tão alto era o som. Os filhotes só faziam travessuras, saiam aprontando as suas aventuras, amarravam os bigodes dos macacos, dava nó nas caudas das zebras, colocava gravetos no almoço dos guaxinins.

E assim se formava a família sempre feliz. Ali todos os outros animais respeitavam a família dos ursos e tinham como conselheiros, era só surgir um problema e lá estavam gritando por socorro. Uma bela manhã enquanto todos trabalhavam, mamãe ursa lavava a roupa no riachinho colocava no varal e a brisa cuidava de secar. Num canto vovó ursa costurava os fundilhos das calças do vovô quando do alto da árvore um colibri cantava anunciando que o dia estava apressado, ou corriam ou perdiam o passeio.

E logo partiram pra o piquenique, o transporte já estava a espera, um casal de tamanduá atrelados   uma carroça que corria veloz pelos campos atalhos e bosques, entre flores e borboletas, pássaros e os sonolentos jabutis, por todo canto que passava ganhavam a admiração de todos que aplaudiam enquanto seguiam no sopro do vento. Finalmente chegaram beira à de um penhasco onde corria um riachinho, o farfalhar de folhas, o ruído da água caindo nas rochas, parecia convidar para ficarem ali.

Mas que depressa desatrelaram a carroça armou a barraca colocaram suas tralhas e dispensou o casal de tamanduá para que fossem se refastelar com as enormes formigas que por ali perambulavam. Logo estavam sentados cada um com sua vara de pescar e foi aquela festança, era só colocar a isca o peixe abocanhava, de um solavanco era arremessado para fora a cesta ficava cheia o fogo foi logo preparado, papai urso limpava os mais gordos peixes, vovô urso roncava encostado num tronco. Mamãe e vovó ursa viravam os peixes enfiados numa vara deixando que o cheiro se espalhasse pela floresta inteira.

De repente do meio do mato aparece uma raposa enrolada em folhas, soluçava de tão aflita nem conseguia falar direito. Vovô urso acordou de um pulo e vendo os dois netinhos saltitando alegremente nem precisou perguntar e foi logo ordenando:

Desçam já dai seu malandrinhos e tragam as roupas dessa pobre donzela. Assim que a raposa se vestiu foi convidada a se banquetear o saboroso almoço. O que ela aceitou de imediata. A tarde passou correndo, quando o sol começava descendo para se recolher a raposa pra retribuir a gentileza os convidou para que ficassem aquela noite em sua toca assim poderiam sir antes que a lua se recolhesse. Sem saber das reais intenções da raposa os ursos dispensaram os tamanduás até o dia seguinte e juntos seguiram a raposa que ia pela lateral do rio até chegarem num lugar escuro onde era

A sua casa.

Lá chegando foram surpreendidos pela fúria do papai raposão e mais dois amigos de cara enfezada que olhavam mostrando os enormes dentões.

– Vamos embora, o caminho é longo a noite vem ai toda apressada, melhor dar no pé desse lugar traiçoeiro disse o vovô urso que sabia o que poderia acontecer naquele lugar, foram bobos e caíram numa armadilha.

E se quisermos chegar antes que a noite engula o dia é melhor sair depressa, perdemos nosso transporte, caímos numa arapuca corram gritou o sábio vovô. Era uma correria maluca ainda ouviam o esbravejar do raposão e o disparo de dois tiros o que fez com que todos desse no pé ou levariam um tiro nos fundilhos.

Como o vovô urso tinha grande sabedoria, nenhum ousaria discordar e todos o seguiram pelos atalhos, subindo trocos, atravessando riachos, descendo montanhas e o cansaço tomando conte.

Quando a noite avisou que se apressassem, pois logo encobriria a floresta com sua sombra , o sol se despedia num fiozinho de luz eles chegaram a entrada da floresta onde ficava sua casa, só que ainda faltavam uns belos passos de horas para chegarem. Ali começava uma subida o cansaço era grande mas chegariam logo em sua casa e dormiriam em suas caminhas quentes.

Mas o dia ainda sobrava uns quarto de horas, assim que entrou em casa, papai urso que até então não havia pronunciado uma só palavra, era hora de acerto de contas e foi logo gritando aos berros:

– Os dois espertalhões sentem tudo isso aconteceu pelas travessuras dos dois na ideia maluca de roubarem as roupas daquela infeliz enquanto se banhava nas águas do riachinho, pelos dois quase tomamos um tiro nos fundilhos das calças e foi tirando o cinta da cintura pegou os dois pelas orelhas deu-lhe aquela sova bem merecida e ordenou que fossem tomar banho frio no lago e depois dormissem lá fora sem jantar e sem cobertor, assim aprenderiam a nunca mais fazerem as suas traquinagens

 

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