O Sabiá

 

 

 

 

(Santo Estevão – BA)

Era o passarinho cantor mais famoso da floresta. À tardinha cuidava de afinar seu bico em gotas de orvalho e saia cantando e encantando a natureza.

Um dia, achando que ali era tão valorizado da forma que merecia, decidiu sair da floresta para conhecer a cidade que de longe via as luzes piscando quando a noite chegava.

Bateu suas asinhas por dias a dias até chegar ao bosque de árvores floridas que ficava ao lado de uma pracinha da cidade, era muito movimentado, adultos passeando ou sentados conversando, crianças brincando na maior algazarra o que estava encantando o sabiá, era daquele movimento que precisava para mostrar o seu talento.

– Aqui posso cantar muito e vou ter plateia para me aplaudir e assim abriu o bico – as crianças curiosas logo perceberam e encantadas pararam de brincar para ficarem olhando e admirando o canto lindo do passarinho.

Assim por dias o sabiá se sentia um verdadeiro artista, passou a ser o centro das atenções de todos que circulavam pelo parque. Sentindo-se importante ele estufava o peito, abria o bico e cantava a sua mais linda melodia.

Mas nem tudo era perfeito como o sabiá imaginava. Uma manhã enquanto se alimentava de goiabas maduras surgem dois garotos com estilingues.

– Veja aquele passarinho, vamos ver quem acerta nele primeiro – Disse um dos moleques apontando em direção ao sabiá.

O passarinho mais que depressa bateu asas e se escondeu entre os galhos mais altos que conseguiu chegar. De repente todo o seu encanto acabou, restava-lhe o medo de tombar morto por uma pedra lançada pelos moleques.

Aquele dia não apareceu como todas as manhãs, seu canto ficou preso na garganta. Era domingo o parque estava cheio de crianças que ficavam de olhinhos para o alto em busca do seu canto. Estava triste e com medo não iria aparecer e sentiu saudades da floresta lá era seguro, mas ele queria muito mais.

– Por que está assim tão triste perguntou o gavião. Vamos cante para encantar a gurizada que vem aqui para lhe encontrar.

-Pensei que aqui estaria seguro, até me sentia feliz, mas existe a maldade de algumas crianças. Eu preciso voltar para o meu povo – Disse o sabiá muito triste.

– Oras! Cante para essas crianças, mais tarde volte para a floresta lá sim vive o seu bando – Falou o gavião batendo suas longas asas e partindo.

O sabiá afinou o bico deu uma tossida e cantou a mais linda melodia que conseguiu diante do seu medo. Foi como se agradecesse a todas as crianças pelo carinho e partiu em direção ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

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