O Quebra-cabeça

 

 

 

 

 

(Belém-PA)

Estava caindo uma chuva fina e por causa disso a menina não poderia brincar do lado de fora da casa. Estava ficando meio entediada devido a isso. Por um tempo colocou as suas mãozinhas na janela e começou a observar as gotas de chuva que escorriam pela vidraça. Começou a imaginar que aquelas gotinhas tão pequeninas apostavam corrida entre elas. Após um tempo essa brincadeira lhe cansou também. Passou um bom tempo apenas olhando a vegetação que rodeava a casa ser regada pela chuva. Vendo com algumas árvores mais frágeis balançavam devido a velocidade do vento.

Depois que reparou que a chuva não parecia querer passar decidiu que iria procurar outra coisa para fazer. Desceu do banco que ficava perto da janela e foi até onde sua avó estava. A velha senhora estava costurando na antiga máquina de costura. Ao ouvir os passos da menina a senhora afastou os olhos momentaneamente da costura e olhou para a neta.

-Vovó, não tem nada para fazer!-se queixou a menina ao ver que a avó prestava atenção nela- A chuva não deixa eu brincar do lado de fora.

A avó deixou as costuras em cima da poltrona e se aproximou da menina ao falar:

-Vamos inventar alguma brincadeira juntas tenho certeza. Porque não brincamos com seus bichinhos de pelúcia?-disse a idosa dando a idéia. Se lembrado que a menina havia ganhado alguns brinquedos do tio que morava na cidade grande. Entre eles se destacavam os tais bichinhos de pelúcia.

-Não… Não queria brincar com eles agora, eu queria brincar do lado de fora ou algo parecido…-disse a menina. Ela gostava de brincar no quintal da avó. Correr atrás das galinhas que elas criavam, subir nas árvores e tomar banho no rio que passava lá perto. Apesar de gostar dos seus brinquedos preferia mil vezes as brincadeiras ao ar livre. Esperava que a avó sugerisse uma brincadeira mais criativa. Ela mesma tinha pensado em brincar com os seus brinquedos.-Fale uma brincadeira mais legal, vovó.

-Podemos montar um quebra-cabeça.

-Quebra-Cabeça? Acho que ainda não brinquei disso. Como é?

-É um jogo que tem um bocado de pecinhas que se conectam entre si. Se a gente montar todas direitinho elas formam uma figura bem bonita. O seu tio trouxe de presente para mim, mas ainda não comecei a montar. Vou pegar rapidinho e já volto.

A idosa saiu e voltou trazendo uma caixinha colorida nas mãos. A menina olhou de forma curiosa. Mas ficou ainda mais curiosa quando viu o monte de pecinhas que estavam guardadas dentro daquela caixa. Pegou uma com cuidado e começou a observá-la. O tédio havia passado. Estava muito ansiosa para ver como funcionava aquele jogo até então desconhecido para ela. Olhou para a avó e viu curiosidade também nos olhos dela. Por um momento seu olhar se assemelhou com o da menina. Para a neta a sua avó parecia jovem novamente.

Naquela tarde chuvosa a diversão e a alegria começaram a se construir peça por peça como se fosse um quebra-cabeça.

As duas descobriram que seria mais fácil montar a figura se agrupasse as peças com cores parecidas e foi isso que fizeram. Avó e neta trabalhando juntas visando um único objetivo concluir aquele jogo novo. Primeiro começaram a montar as bordas da figura e depois com mais paciência o centro. A figura que parecia ser uma pintura de um vaso de flores muito coloridas começou a tomar forma aos poucos.

Sem que notassem a chuva havia passado e Sol brilhava do lado de fora, mas naquele momento estava bem mais divertido no lado de dentro da casa. A menina tinha esquecido a vontade brincar do lado de fora. Entre uma risada e outra ela e avó fortaleciam ainda mais o vinculo que tinha entre elas. Se sentiam mais próximas e intimas entre uma risada e outra. Sentia que sempre teria uma companheira de brincadeira para os dias chuvosos.

Montaram tudo sem notar que o tempo corria, logo tiveram que acender a luz, pois o Sol que tinha voltado já estava dizendo tchau e dando lugar à noite. Foi apenas quando colocaram a penúltima peça que notaram que faltava uma peça. Era exatamente a peça que completaria a flor mais bonita do vaso. Uma pecinha que devia ter cor amarela e ser bem pequenininha. Elas se olharam por um tempo e logo ela e a avó se colocaram na missão de encontrar a peça sumida para completar a figura. Foi como se tivesse sido uma grande caça ao tesouro. A diversão havia se reiniciado quando parecia prestes a ser encerrada.

Elas encontraram a peça perto do armário da idosa. A peça havia caído da caixa que estava meio aberta. A busca pela peça foi mais divertida do que o momento em que a encontraram. O caminho as vezes é mais divertido que a chegada.

Colocaram a última peça e ficaram um tempo admirando o trabalho concluído, porém não muito tempo porque naquela altura tanto a menina como a avó estavam com muito sono. Naquela noite foram dormir felizes e com a sensação de que havia sido uma tarde muito divertida e alegre. A menina ficou pensando que no próximo aniversário pediria um quebra-cabeça novo de presente.

 

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