O Gafanhoto

 

 

 

 

(Santo Estevão – BA)

Acordou e saiu para dar uma volta, quando misteriosamente surge um bicho enorme de olhos esbugalhados.

Um sapo! Gritou o gafanhoto chamando a atenção de todos os insetos que moravam ali perto.

Há! Um sapo… gritava escandalosamente a cigarra sentada na árvore tocando o seu violão. A mim não mete medo, sapo não sobe tão alto. Vocês que se cuidem ou viram café desse feioso.

Chegavam insetos apressados de todos os cantos, quando a Joaninha grita: Cuidado! Tem um sapo bem ai. Apontou com as asinhas. Voando apavorada para se esconder em uma flor.

Um sapo! Corram vamos nos proteger gritava a formiga bunduda quase se atropelando nas suas pernas finas para avisar as suas amigas que estavam saindo para trabalhar.

Dona formiga sabe que o sapo é útil na natureza e ajuda a cadeia alimentar ficar em equilíbrio, mas estão certos em querer se salvar, ele que vá se alimentar bem longe daqui. Disse o beija-flor.

– Senhor beija-flor, somos o prato preferido desses zoiudo, acha que uma formiga assim toda estilosa vai se salvar do ataque de um sapo. Então meu amigo quem tem asa voa, quem não tem corre. E sai em disparada aflita para salvar a sua família.

O grilo que estava observando os movimentos do sapo começou a gritar cri…cri…cri… Achava que gritando ele iria embora . Pensou o pobrezinho.

Esse gafanhoto é mesmo um bobo se o sapo se quiser pegar é só estirar o seu linguão e zap.- Disse a cigarra.

O gafanhoto pode até ser bobão, mas é amigo e quer nos proteger e você dona cigarra egoísta que só pensa em seu bem. – Gritou a formiga sentindo vontade de subir na árvore e dar uma bela ferroada naquela exibida.

-Posso até ser tudo isso. Respondeu o gafanhoto dirigindo-se a cigarra, mas não vou colocar em risco a vida dos meus amigos. Posso fugir daqui e deixar os mais fracos para serem devorados pelo sapo, mas não o farei. Completou pedindo que todos entrassem em sua casa. Foi aquela correria.

– Não vamos desistir, com todos bem protegidos podemos planejar algo para enfrentar o sapo, ele que vá se alimentar bem longe daqui.

A formiga, tentando esconder o medo que sentia, foi ajudar o gafanhoto a cuidar de todos.

Vamos amigos, corram! Não vai ser um sapo zoiudo que vai nos pegar assim fácil. – Gritou a formiga guiando todos para dentro de casa.

E logo a casa do gafanhoto estava cheia de joaninhas, borboletas, formigas, besouros, grilo e outros insetos que chegavam com as suas bagagens.

O gafanhoto fechou bem a porta, as janelas ficariam abertas uma vez que sapo não sobe em parede e foi falar com todos.

Durante a noite ele sai para caçar, não façam barulho tentem descansar sairemos daqui logo que o sol clarear o dia, é quando ele vai dormir e roncar e poderemos sair em segurança. Não tenham medo aqui ele não entra- Disse o gafanhoto.

Eu estou é tremendo, sou tão frágil e se ele sentir o meu cheiro, falou a mariposa voando em volta da luz.

Não precisa ter medo, precisamos enfrentar e com a luz do sol fica mais fácil, aqui temos muitos amigos bem mais rápido que um sapo. Disse o gafanhoto.

E assim planejaram atacar o sapo assim que o dia acordasse. A formiga bunduda, mostrando-se cheia de coragem dirige-se até o gafanhoto e diz:

-Vamos programar, vou sair pelos fundos e trazer um batalhão de formigas assim atacaremos a ferroadas.

Assim a formiga saiu voltando com o seu exercito.

– Vejam! O sapo parece que dorme, vamos atacar sem que ele perceba, Disse a formiga bunduda.

Mas ele pode sentir o nosso cheiro e atacar antes. Disse um formigão.

-Deixe de ser covarde vamos todas de uma vez assim ele não tem como se defender. Falou a formiga bunduda assumindo a missão de ataque.

E assim o exercito avançou sobre o sapo que diante das ferroadas por todo o corpo, cabeça e patas, sai dali aos pulos sendo perseguido pelo batalhão de formigas grudadas em seu corpo. Foi tanta agonia que o sapo saiu em disparada se atirando no lago.

Viva! Viva! Vencemos o zoiudo. Gritou a formiga bunduda ao ver que o sapo desapareceu cheio de dor pelas ferroadas que recebeu. Ele que pensasse duas vezes antes de chegar perto de uma colônia de insetos.

Quando se preparavam para dar a boa noticia ao gafanhoto e aos outros insetos chega o beija-flor.

Amigos! Amigos! Acabo de ver o sapo se contorcendo de dor, o bicho está cheio de ferroadas, sabem de alguma coisa?

Nossa! Deve ser um covarde esse sapo zoiudo disse a formiga caindo na gargalhada.

Psiu! Fiquem quietos. Disse o gafanhoto abrindo a porta. Entrem, gritou apressado.

As formigas se abraçaram enquanto o gafanhoto sem nada entender olhava desconfiado. Onde foi parar o sapo? Perguntou.

– O sapo fugiu cheio de ferroadas. Gritaram todas as formigas festejando.

Tudo voltou à calma, as borboletas voaram colorindo o ar, os besouros voltaram para as suas tarefas, as joaninhas ficaram pousadas nas flores, o gafanhoto voltou as suas tarefas e o sapo com certeza aprendeu a lição de respeito.

E assim a união fez a força e todos voltaram a viver feliz..

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