O Contador de História

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(São Lourenço – MG)

contador-historiasA noite estava praticamente gélida, não bastando isto, havia algo de tenebroso no céu escuro, dava a impressão que não existia nada acima daquele manto completamente negro, parecia que a lua se escondia ou talvez não apareceria mais, as pessoas na rua dava a impressão de seres completamente adversos, diferentes nas aparência diferentes até no interior, tudo estava indicando que todos independente de quem fosse, o fim seria num insondável abismo.

Ronald, aquele repórter incansável, apaixonado por histórias, sentia tudo isso no seu interior, realmente a noite estava assombrosa, mas as pessoas aquelas pessoas diferentes em tudo, ele poderia se enquadrar exatamente igual, poderia porque de repente ele queria sentir diferente, mas existia diversas indagações na sua mente, vida, morte, relacionamentos humanos, diversidades no pensar.

Seus pensamentos voavam altos:

— Mais porque então escrever mais histórias?

Ele mesmo procurava uma definição: — podemos basear pela vida, embora o viver seja realmente um mistério! Nós seres humanos somos incapazes de explicar por detalhes, mas nós vivemos e devemos procurar um sentido por estarmos aqui, e o sentido seria justamente o de sabermos que existem pessoas incríveis, pessoas que conheci, Padre Jefferson, Pastor Orlando, os quais já está um livro em edição.

Aí ele termina a conclusão:

— Sim, precisamos saber de muitas histórias, devo escrever mais histórias!…

Ronald, mal se acomoda em sua cama, esforçando para que o sono venha bastante reparador, pois o dia seguinte seria estafante.O telefone toca, Ronald se exaspera:

— Puxa vida! Aquela xarope daquela dona que não me dá trégua, ele pega num sobressalto o telefone e atende:

Da outra linha: — aqui quem fala é o filho do ex-policial, Jorlan, está lembrado dele?

— claro, como iria esquecer o meu amigo, Jorlan! Como  vai ele?

— Não está bem, quando puderes queria pedir um favor de lhe fazer uma visita.

— É  pra já, dentro de poucos  horas estarei aí.

Ronald, concluiu o endereço e de fato compareceu na casa onde estava o amigo.

Chegando deparou com o filho de Jorlan, Ronald  ficou surpreso, pois o rapaz era bem moreno, o típico mestiço, mais puxado para a raça negra e Jorlan era tão branco de olhos azuis que parecia alemão, sua falecida esposa  também  era branca, mas deixa pra lá, ele faz um breve monólogo.

E encaminhando ao quarto em que estava o amigo, deparou  ele realmente acamado, aparentemente bem doente.

— Então, meu amigo, quando vai levantar desta cama?

— Impossível, amigo, mas eu não me sinto infeliz. (fala em tom bem baixo e cada palavra era com muito esforço)

Este meu filho que acabou de ver é adotado, um bom filho, como terás oportunidade de ver, os outros também são bons, mas este pode me amparar, não posso continuar mais, quero que converse com ele.

Dr. Gilson era o filho de jorlan,30 anos, um psicólogo já famoso, convida Ronald para se dirigir ao seu consultório, instalado naquela sua ampla e acolhedora casa, o perspicaz repórter conseguiu visualizar realmente o amplo progresso daquele jovem psicólogo, porque de acordo com seus cálculos, jorlan não era rico para que desse ao filho aquela condição aparente, tivera uma educação esmerada, inclusive, continuou sua infância numa condição financeira razoável, mas depois conseguiu erguer conforme sua capacidade.

Dr. Gilson, bem que dava jus à sua profissão, tratou logo de explicar as dúvidas iniciais que o Ronald teve dele ser o filho de seu amigo, aquele que se propôs ser um verdadeiro pai para ele, então começou um interessante diálogo entre eles, o psicólogo começa:

—  Pode me chamar de Gilson, prefiro mais do que as formalidades de me chamar de Dr. Quanto a meu pai, podes acreditar meu amigo, ele não está sofrendo, apesar de sua condição de vida não ser nada boa, ele desejaria conversar bastante com você mas por mais que esforce uma conversa de alguns minutos seria penoso para ele, ultrapassou dos 80 anos, isto não seria o motivo de sua situação, vários tipos de doenças é a causa disso, situações incompreensíveis aos seres humanos, mesmo para os maiores especialistas nestes assuntos seria difícil uma explicação satisfatória, quanto a minha análise e baseando o que eu conheço de meu pai, não  há sofrimento em sua mente.

— É verdade, dr… Gilson também conheço bastante seu pai, foi  sempre um homem generoso, nunca foi um policial violento, tenho algumas leves lembranças de seus filhos, aliás seus irmãos, mas você eu não conhecia.

— Como já está sabendo, fui adotado, não me sinto bem em falar em “fui adotado” porque me sinto verdadeiramente filho deste homem seu grande amigo e da esposa dele falecida, que tenho verdadeiro orgulho de ter sido minha mãe, e de acordo com o ditado popular:  pais são aqueles que cuidam, criando, ensinando até na idade adulta, meu irmão e minha irmã  também são uns anjos de pessoas.

Meu pai em algumas conversas comigo me falou de você, pude comprovar realmente de seus trabalhos, seus artigos bastante interessantes sobre as histórias das pessoas, através de mim ele desejaria relatar-lhe a nossa vida,  e aí o que acha?

— Esplêndido, podemos começar já.

— tenho certo privilégio de possuir uma mente privilegiada, (o psicólogo vai contando a história que talvez seu pai teria prazer em contar ao seu amigo, o contador de histórias) com meus 2 anos tenho relapsos de memória de uma mulher me carregando e deixando num lugar onde só ficava crianças abandonadas, mais tarde comprovei que era minha mãe, abdicou o seu dever tão sagrado de ser mãe, desde bem criança sempre tenho um sonho de estar num lugar fechado, até que era aconchegante, mas a pessoa dona daquele lugar queria me expulsar dali, eu pedia implorava para ficar sempre mais, mas cada vez sentia que logo seria enxotado dali, fui conseguindo ficar, não conseguia chorar, mas sentia que para mim na medida que o tempo passava, teria sérios contratempos, a pessoa não conseguiu me expulsar dali, mas um dia eu saí, meu sonho sempre acaba assim.

Naquela casa fiquei até os meus 7 anos, neste período lembro que as pessoas se aproximavam  pegavam algumas crianças e levavam, eu sempre ficava sem ser escolhido.

Um dia estava sentado no pátio, meu olhar era indefinido, eu o menino de 7 anos, sentia indefeso, a indecisão me apavorava interiormente, de repente senti uma mão forte apoiando no meu ombro, levanto a cabeça e vejo o policial alto garboso no seu uniforme e me  pergunta:

— Qual é seu nome garoto?

— Gilson.

— Queres ser meu amigo?

A  admiração e a amizade férrea com meu pai começa neste instante. Ele já me observava a alguns tempos, como ele me relatou mais tarde. Ele o policial que fazia suas rondas  pelas ruas, pode um dia me observar de longe ao tentar fugir daquela casa que me dava abrigo. Eu ao tentar inutilmente escapar para ver se existia algum lugar melhor, mas facilmente fui  pego.

No outro dia ele perguntou aos dirigentes, o que me aconteceu depois, foi informado que meu castigo foi severo, eu fiquei bem mais revoltado, estava complicado para entenderem a mente de um garoto de 7 anos. Ele então tomou a decisão de me amparar e depois adotar, chegando em sua casa explicou  com detalhes a sua vontade em adotar um garoto que estava só no mundo, criança que estava sentindo o verdadeiro terror de não possuir um lar, sua esposa…

CONTINUA?…

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