Natal

 

 

 

 

(Santo Estevão – BA)

Juca era um menino de família pobre, o pai trabalhava catando latinhas pelas ruas, a mãe descia e subia o morro com pesadas trochas de roupa para lavar passar e entregar nas casas ricas lá de baixo. o ano inteiro quando não estava na escola ele seguia a mãe, via tanta riqueza tantas cores e ficava triste quando retornava para o casebre frio e sem cor onde vivia com seus pais.

Os dias se passavam ele ansioso esperava o Natal e todos os dias subia no morro e ficava olhando as luzes coloridas que se acendiam nas ruas, nas lojas e nas casas luxuosas. Ali tudo era sem cor a única luz eram as balas que pipocavam em algum canto daquela comunidade. Nem o Papai Noel se atrevia a subir o morro, com certeza a sua charrete puxada pelas renas tinha medo daquele lugar assim tão pobre e sem cor.

Esses dias que se aproximavam o Natal Juca ficavam triste e quando chegou a tão esperada noite de Natal ele subiu o mais alto do morro, ficou horas olhando para o céu na esperança de ver a carruagem de Papai Noel passando e quem sabe ouvisse o seu pedido ou mesmo um presentinho escapulisse e caísse bem ali ao seu lado. -Ai como seria bom! Pensou Juca suspirando.

Nesse momento uma estrelinha piscou varias vezes riscando o céu como pássaro apressado. Juca sentiu seus olhinhos marejados e duas lágrimas rolaram do seu rostinho triste. Ajoelhou-se ali na terra e de mãos postas sem retirar os olhos do céu pediu: -Papai Noel me escuta pelo menos dessa vez, faz tantos anos que venho aqui mas nunca me ouviu. Olha Papai Noel – eu só tenho esse sapato velho ele tá bem estragado mas vou deixar aqui, quem sabe amanha bem cedinho volto correndo e encontro um presente que o senhor me deixou, pode ser um bem baratinho aquele que as crianças ricas não há de querer mas eu vou adorar receber o meu primeiro presente. Sabe Papai Noel! – ontem enquanto andava com meu pai pelas ruas catando latinhas eu vi numa loja um carrinho que anda sozinho, mas nem precisa ser novo pode ser quebrado, meu pai conserta, Sabe Papai Noel! – eu venho aqui todas as noites e fico olhando as casas iluminadas, com certeza têm árvores enormes muitos presentes e crianças alegres brincando, Papai Noel sei que falo demais, mas me responde por que Jesus Menino só entra em casas iluminadas? Eu não entendo minha mãe diz que ele nasceu em uma estrebaria um lugar pobrezinho como o meu casebre, que dormia num monte de capim assim como eu durmo no chão. Sabe Papai Noel! Eu não quero, mas o carrinho coloca no meu sapatinho um pão um doce e uma fruta. Assim posso sentar com minha mãe e meu pai do lado de fora e podemos fingir que as estrelas são as luzes da nossa árvore, que as nuvens são flocos de neve e com certeza vamos ter um banquete tão bom quanto àqueles das casas ricas. Bom Papai Noel, eu preciso ir para minha casinha lá não teremos Natal, mas vamos sentar abraçados e ficar admirando as luzes lá de baixo. Amanhã antes que o sol venha dizer Feliz Natal eu voltarei, sei que dessa vez vai me ouvir. Sabe Papai Noel! Não precisa muito não, basta um doce e um pedaço de pão.

Boa noite Papai Noel.

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