Incautos Sorrisos…

 

 

 

 

(São Paulo – SP)

Assim que a noite cobria de meios véus a metrópole indiferente, meias palavras ricocheteando no concreto frio, solidão ia mostrando sua face melancólica.

Meias luzes de neon ─ tremeluzindo pelas meias fachadas de edifícios de pedra ─ se atreviam a contrastar gritantemente com o organismo vivo, sensualmene pulsante de energia.

Gentes mil, perdidas entre multidões que não se viam, inda conservavam uma enfurecida sede de paixão.

Seus pensamentos solítários – vagando meio que sem rumo pelas esquinas do silêncio – queriam olvidar essa meia noite.

Fazer valer a pena cair num sono profundo…

Esquecer esse meio desejo de morte e de dor. Essa meia tormenta dentro de si exorcizarem.

No fio do amanhecer, num cenário de céu meio que azul brilhante, palpitavam umas poucas estrelas na meia escuridão.

Meio que em carne e osso, mentes torciam para aliviarem meias dores… Mergulhadas em promessa de felicidade sem fim, assistirem melancolias partirem nas asas do tempo.

Vida, então, feita de esperança aquecida,

inda que sem saber que rumo tomar,

viria lamber faces na cidade nua,

cicatrizar feridas,

recompor almas.

Cheiros de versos inteiros, então, extravasariam afetos. Revirariam sentidos…

Era bem possível que corpos perdessem o juízo.

Incautos, sorrissem…

Dolentes, bailassem ao ritmo de boleros que a vida traz no rodopio do vento, com promessas de efêmeros pouvires.

 

Inspirada na Prosa Poética “O Meio do Tempo” de Ricardo Klausiaitiz.

4 thoughts to “Incautos Sorrisos…”

  1. Dizem que a metáfora é a alma da poesia. Frases com significados semelhantes. Poéticas. A prosa poética ressalta, demonstra isso. Meio isso, meio aquilo que se quis dizer. Incautos sorrisos, sorriso de quem não tem cautela. Impróprio, indevido, talvez. Sem razão de ser, talvez porque o momento não é oportuno.
    Quando a noite cai sobre a cidade, tudo se transforma, nada é definitivo, tudo é meia-verdade. Sorumbáticos, os noctívagos vagueiam pelas ruas meio-escuras em busca de alguma coisa, muitas vezes nem eles mesmos sabem o que é. Tudo some em meio aos sonhos de desilusão. Somem nas asas do Tempo.
    Ao amanhecer, na meia-luz, nem tudo toma forma, nem tudo é encontrado, nem tudo é satisfeito, nem todas as feridas cicatrizam. Resta apenas uma meia-esperança de sentir a Vida plena, mesmo que o vento prometa efêmeras felicidades. Legal!

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