Encontro Perigoso…

 

 

 

 

(São Paulo – SP)

Duas mulheres se encontram. Ambas estão grávidas de nove meses.

Luci Paiva tem tudo que sonhara. Está noiva de Savio há 3 anos. E grávida. A um quarteirão da sua casa mora Luci Campos de 22 anos. Além do nome em comum têm paixão por serem mães.

O que elas nem imaginam é que, em 48 horas, a vida de ambas mudará para sempre.

9:00h da manhã.

Luci Paiva recebe um telefonema.

“Sou Luci Campos”, diz uma voz agradável. “Recebi por engano um pacote da loja Bebê & Companhia e descobri que lhe pertence”.

Luci P. se lembra da lista de presentes que cadastrara na loja de artigos infantis. Agradece, dizendo que vai até lá buscá-los.

Luci C. é muito simpática e lhe entrega o pacote.

As duas se identificam. Mesmo nome, primeiro filho, uma menina. E teriam bebês na mesma época.

Ela conta que se mudou recentemente. Seu marido viaja muito e se sente muito sozinha.

No entanto, há segredos em Luci C. que Lucia P. nem imagina.

Ao contrario dela, Luci C. tivera uma infância infeliz, pais alcoólatras. História de abuso. Trabalhava como Enfermeira e tinha obsessão por crianças. Buscava dar a elas o amor e atenção que não tivera.

Mais tarde o telefone de Luci P. toca de novo. É sua homônima dizendo ter recebido mais pacotes. As duas conversam mais. Luci C. diz que o nascimento do seu bebê passou do prazo e seu parto será induzido. Para piorar seu marido não está na cidade e ela não tem família.

Luci P. se comove. Quando comenta a historia com o noivo ele fica desconfiado, mas Luci não acredita.

Quinta feira.

Luci P. acorda ao som do telefone.

“Você não vem”? Pergunta sua mais recente amiga.

“Não posso agora. Passo ai depois”.

“Por favor! Meu marido ainda não voltou, estou com dores fortes. E muito nervosa”.

Cheia de pena Luci P. vai até a casa da amiga. Pensou ser um encontro breve, mas quando lá chegou deparou com o maior desafio da sua vida.

Luci C. está agitada e nervosa.

“Acalme-se”, diz, sem perceber que a moça trancara a porta.

Luci C. não responde e a convida para ver o quarto do bebê. Ela quer ir embora, mas a outra insiste com a habilidade de quem sabe estar no controle.

Com pena acredita que a moça, na verdade, quer é um pouco de atenção e resolve ficar mais um pouco.

Nisso, vê sobre a mesa de jantar um documento de identidade. É a foto de Luci, mas o nome é… de Luciana Campos.

Com a lucidez do desespero pensa em correr para fora. Então ouve um grito e uma queda. Luci C. estava no chão em trabalho de parto.

O sentimento de medo dá lugar à compaixão e ela a ajuda.

Porém, quando olha em seus olhos sente o perigo. A maldade emanava dela.

Solta-a no chão e foge para a porta. A jovem surge atrás dela e a detém.

“Não vai a lugar algum”, diz arrancando a barriga falsa.

Boquiaberta, Luci exclama:

“Mas…, e os ultrassons, os exames que me mostrou? E seu marido?”…

“Falsos, querida. E não há marido algum”.

“Por que… por que eu”?

“Pesquisei as listas de presentes na loja e me cadastrei com nome falso. Chegar até você me deu muito trabalho, mas agora está aqui e vai ficar até o seu bebê nascer”.

Rindo alucinada, Luciana puxa uma faca

Luci reage instintivamente e arranca-lhe a faca, mas Luciana se atira sobre ela e começa a bater-lhe. Golpes brutais e eficientes. Luci começa a perder a consciência.

Então uma força descomunal se apodera do seu corpo. Consegue empurra-la e se levanta cheia de raiva.

Em pequena vantagem pega um cinzeiro de vidro, e bate na cabeça da mulher louca que planejara roubar seu bebê.

Luciana fica imóvel. Luci corre para a porta, mas mãos férreas agarram suas pernas.

Elas lutam. As duas estão exaustas.

“Por favor”, implora Luci. “Deixe-me ir”.

“Nunca”! Vocifera Luciana tentando esfaqueá-la de novo.

Num gesto desesperado, Luci segura a lamina, o sangue jorra até que finalmente consegue desarma-la.

“Fica longe de mim, sua louca”, grita e a esfaqueia no ombro.

“Você me furou, sua vaca”!

Luci força a porta e corre o mais rápido que pode para a rua, sentindo um enorme alivio por poder respirar e estar livre.

Pede ajuda. Quando um carro para, ela desmaia.

Acorda no hospital com o bebê ao seu lado.

A um só tempo, solta um suspiro de alivio e tristeza ao saber que Luciana morrera de hemorragia. O corte atingira uma artéria.

No entanto, Luci tem a dolorosa consciência de que jamais será a mesma.

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