É o Tempo Que Voa

 

 

 

 

 

(Patos de Minas – MG)

Mas nem me lembro mais da data ao certo, mas sei que já faz mais de um ano que não sei mais nada de você. Não sei se isso é bom ou se é ruim, mas sei que você me faz uma falta tremenda… Queria tanto notícias suas. Desejo isso todas as noites, mesmo desmaiando, eu lembro que desejo isso do fundo do meu ser.

Agora estou eu aqui… Nem saio mais de casa. Diariamente fico trancado em um escritório escuro, apenas com um luminária em minha escrivaninha, tentando achar motivos e um assuntos, ao menos razoável, para escrever, contar algo alem da minha própria solidão, desamor e autodestruição. Sei que esse é um assunto muito chato para os meus leitores e estagnado para eu ficar remoendo e remoendo em meus livros.

Ah, e sobre aquela jovem que outrora me salvou da minha própria insanidade? Hoje em dia ela não frequenta mais a minha casa. Ela levou algum tempo, mas percebeu que eu não possuo mais a capacidade de amar outro alguém, de demonstrar algum afeto intenso ou apenas retribuir os sentimentos dela por mim. Já fazem alguns meses isso… Mas ela ainda pergunta por mim, liga e sempre deixa recado pedindo que eu ligue de volta. Aliás, já tem algumas semanas que ela não faz isso. Será se ela desistiu de mim também?

Pelo visto, estou cada vez mais só nesse mundo. Que falta você me faz! acho que era a única que acreditava cegamente em mim e não julgava o meu jeito de agir com o que eu produzia. Até o meu agente anda com raiva. Só não entendo o porque. Simplesmente ele chegou aqui um dia e a casa estava saindo fumaça. Ele achou que eu estava colocando fogo na casa e entrou assustado. Mas eu não estava… Estava apenas queimando um esboço de um livro que eu havia terminado de escrever no dia anterior, tinha relido e descrençado do que eu havia escrito. O susto dele se tornou raiva naquele instante, ao invés de ficar feliz por eu estar bem e não ter posto fogo na minha moradia. Acho que ele me vê como uma vaca leiteira que não da leite há um bom tempo… Azar dele.

O tempo vai passando e eu vou continuando o mesmo. Acho que você até estranharia ao me ver do mesmo jeito que me deixou há um ano atrás. Não fisicamente, ando muito desleixado com minha barba e cabelos, as vezes me esqueço até de escovar os dentes. Talvez até se assuste, se lembrar de mim como alguém que ainda tinha algum respingo de vaidade. Mas psicologicamente… Emocionalmente, não com as outras, mas somente com você, acho que eu ainda sou o mesmo de quando você me deixou.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *