Devolva a Minha Inteligência!

 

 

 

 

 

(Salvador – BA)

“Devolva a minha inteligência!!”, disse o professor ao faxineiro do campus universitário. O homem gargalhou, apertando contra si o esfregão pela última vez. “NÃO! Não, professor… O feitiço não pode ser revertido! E ainda que fosse jamais eu o faria!”. Largou o esfregão no chão, enquanto sentia seu cérebro vibrar com NOVAS INFORMAÇÕES. Já o professor, caído, sentia que tudo ia ficando… Cada vez mais difícil.

Quase dez anos depois…

O ex-faxineiro – agora, um homem da ciência, provido de bens, porém sempre solteiro e sozinho – entrava pelo portão de sua mansão. Mas ficou encafifado, pois tinha cachorros que não latiram e nem foram ao seu encontro. Saiu tateando no escuro até que sem aviso, foi derrubado com um golpe de martelo. Acordou minutos depois, imobilizado com esparadrapos (nunca seriam cordas, pois esse invasor jamais saberia dar um bom nó). Estava de pé ao seu lado. O ex-professor. Velho com o Diabo. Rindo abafado, misturando-se com uma tosse de quem a morte já era iminente. “Matar é fácil. Qualquer asno pode fazê-lo! E mesmo no fim você foi o burro da história, pois não se lembrou disso!”.

O ex-faxineiro sorriu, zombeteiro. Três homens, idênticos a ele, vestidos com roupas brancas, surgiram e agarraram o ex-professor. “Sou muito inteligente. Você também era! Talvez não o soubesse quanto! Eu fiz clones! Fisicamente eles são como eu! Não são úteis para uma boa conversa, é verdade, mas são escravos leais. Pronto! Desamarrem-me! JÁ! Estou mandando! E depois disso, levem-no ao crematório e acabem com ele!”.

Só que os clones que assistiram toda aquela confusão, decidiram por se livrar dos dois. Pois ficaram muito incomodados, com todo aquele festival de arrogância. Cremaram os dois juntos, ainda vivos e abraçados, como uma lição de coleguismo. E com toda a sua ignorância, tornaram-se os donos de tudo o que restou.

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