Chuva de Peixes

 

 

 

 

 

(Goiânia – GO)

Em uma bela tarde de verão, Joao Pedro cavalgava sem muita pressa, em direção a sua fazenda com aquela sensação de quem não tinha pressa para chegar a lugar nenhum. Pensava na vida e, as vezes, parava para observar a paisagem. Lá na fazenda ele tinha de tudo, gado, plantação de arroz, milho e criação de porcos. Voltava da cidade onde fora visitar os pais, mas gostava mesmo era de viver no seu canto, cuidando da fazenda. A vida era calma, embora tivesse uma rotina difícil. Ganhara a vida trabalhando duro como ajudante do pai, mas o que podia dizer é que ele não precisava de tanto para ser feliz. Fazia quase uma hora que assim, despreocupadamente, cavalgava. Ajeitou o chapéu e parou no meio da estrada De súbito, sentiu uma pancada forte na cabeça. Voltou-se, rapidamente, para observar o que o atingiu. Viu ao lado da estrada alguma coisa se mexer. Impacientou-se coçando a cabeça, quando se deu conta de que tinha sido atingido por um peixe. Dava para notar, pela distância, que era um tucunaré pulando, ansiando por água. Sobressaltou-se. Peixe? Ainda vivo? Como veio parar aqui, neste ermo? De onde viria aquele peixe. Como que num lugar tão seco como aquele ia ter um peixe vivo no meio do capim? E cair logo na sua cabeça. Além disso, o rio estava muito longe; por perto não havia lagos ou lagoas. Mesmo vendo, não acreditava que pudesse ter sido atingido por um peixe, e ainda mais caído do céu. Peixes não caem do céu, pensou. Não pode ser. O vento forte balançava o capim. De repente, uma pancada; desta vez, no ombro. Era um tucunaré, maior que o primeiro, e suficiente para lhe causar um hematoma. Não tinha mais dúvida, ele viera de cima! Olhou para o céu durante alguns segundos, só distinguindo nuvens ralas, brancas, não dando sinal de que se desmanchavam em chuva ou em peixes. Aquilo o incomodou bastante. Apertou o passo do cavalo. Precisava chegar a casa o mais rápido possível. O vento aumentou de intensidade. De repente viu um dourado cair a seu lado. Mal tivera coragem de olhá-lo. No primeiro instante hesitou atemorizado, depois, desceu do cavalo e foi ver o peixe de perto. Quem sabe poderia levá-lo para casa e come-lo no jantar. Não havia ainda montado e na sua frente, caiu um pintado. No cavalo, viu uma traíra cair a sua frente. Em seguida um dourado. Parece que está chovendo peixe. Pensou em se esconder e se proteger dos peixes. Mas onde? Naquele pasto, aonde quer que fosse não encontraria um abrigo seguro. Estremeceu, quando um pirarara acabara de cair na garupa do cavalo e por pouco não o acertara. O animal assustou-se e quase o jogou no chão. Pelo tamanho pesava uns vinte quilos. Estaria morto, àquela hora, se o tivesse acertado a cabeça. Outro peixe o fez estacar ao se espatifar a seu lado. Era uma caranha. Pensando bem, precisava mesmo era apressar e chegar à casa, antes que uma piapara volumosa caia em cima dele. Esporou o animal e pôs-se a galope. Os peixes começaram a cair aos montes Ainda não havia visto lambaris nem piaus. Relutou, inicialmente, em aceitar a ideia, mas ao ver tantos peixes caindo, não teve mais dúvidas. Chovia peixes! E de todo tipo e tamanho: pacus, tucunarés, piramutabas, dourados, pintados, caranhas, matrinxãs, traíras, piaus, mandi e até lambaris. Galopou pela estrada, tentando se desviar dos peixes, pois não encontrava abrigo. Só havia algumas árvores isoladas. Todavia suas copas não segurariam os peixes que caiam em grande quantidade. De repente, um dourado atingiu-lhe a cabeça em cheio e o fez cair do cavalo que fugiu assustado. Mais tarde, ao chegar à fazenda encontrou o pessoal se preparando para ir procurá-lo, porque o cavalo acabara de chegar arreado e sozinho. Ele trazia um dourado e alguns tucunarés nas mãos. Contou que aconteceu uma chuva de peixes na estrada e que caiu do cavalo ao ser atingido por um enorme dourado.

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