A Mulher da Janela

 

 

 

 

(Maringá – PR)

Em uma cidadezinha do interior, uma mulher debruçada na janela de casa observa o ir e vir das pessoas pela rua, o voar e revoar das andorinhas pelos telhados, o entrar e sair da gente no mercado da esquina, e atenta às novidades do dia a dia de cada vizinho que por ali passasse, como se até onde sua vista alcançasse fosse a extensão de seu quintal, um vasto reino em que ela cuidaria da vida de cada passante. (mais…)

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Máquina Quente

 

 

 

 

(Maringá-PR)

Vários amigos me rejeitaram depois que assumi meu relacionamento. Jenny – seu apelido carinhoso era Jenny – já era conhecida da turma, e todos admiravam sua beleza e a formosura de suas curvas. Levei-a comigo para o jogo de futebol e quando anunciei minha intenção de noivado todos ficaram chocados. A princípio riram, incrédulos.

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O Noivo Tardio

 

 

 

 

 

(Maringá-PR)

Mal terminara de vestir o terno e ouço o toque da campainha. Vejo que são os pais de Milena, acompanhados do padre Pietro. Abro a porta.

– Vimos o seu carro lá fora. Então os boatos são verdadeiros? Você levou mesmo nossa filha para sua casa? – questiona a Sra. Carli.

Aceno que sim, indicando para que entrem e tomem assento, enquanto ajeito a gravata.

– Você sabe que a jovem está atrasada para a cerimônia, Julius. O que aconteceu? – intervém o padre Pietro, com sua voz pausada, mas ainda assim com um ar preocupado. (mais…)

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O Pianista

 

 

 

 

 

(Maringá – PR)

Tocava sua última música da noite – uma rapsódia – para toda aquela numerosa e nobre plateia. A noite havia sido esplendorosa – e comum – como todas as noites dessa gente. Recebe aplausos. A festa acabara. A multidão de empresários, industriais, e filantropos vai deixando o salão cerimonial, enquanto Mauro, o pianista, desce do palco pelas cortinas do fundo, observando de lado cada dama e cavalheiro seguindo seu caminho: uns, antes de aguardar os conversíveis clássicos chegarem das mãos dos manobristas, pegam sobre o pedestal de mármore da porta do hall os convites para a próxima festa, que seria a três dias; e outros, de tanto tédio e mesmice, passam direto, sem mesmo ler a razão do trabalhado convite. (mais…)

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A Despedida

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(Maringá – PR)

Não bastava o casamento enterrar a infância. O marido resolvera fazer uma faxina na casa, decidido a jogar fora tudo o que é velho. Certa tarde, ele tivera a triste e fatal ideia. Pegou um saco de lixo preto e pediu que eu jogasse fora algumas das pelúcias mais antigas da minha infância, que ficavam em cima do guarda-roupa.

Essas parafernálias velhas afetavam a rinite, ele dizia. (mais…)

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Esperanza e Felícia

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(Maringá-PR)

casebre-praiaFoi quando começou a crescer que a inquieta Esperanza passou a fugir de casa cada vez com mais frequência, e indo para mais longe cada vez antes de voltar. Certa feita, Esperanza ficou a perambular por uma praia deserta até que parou para descansar do sol em um antigo casebre de madeira abandonado. Ficou admirando as ondas quebrando na costa quando, de repente, reparou em uma menina também sozinha. A menina parecia um pouco mais velha e brincava de plantar as mãos na areia para olhar o mar de cabeça para baixo. Esperanza estranhou que pudesse encontrar ali uma menina assim e ficou curiosa. Aproximando-se, perguntou: (mais…)

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Sonho de Criança

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(Maringá – PR)

sonhoUm qualquer Simon Simanov, a dormir profundo em sua cama não obstante o clarear das cortinas, é acordado finalmente pelo filho. O pequenino salta abrupto sobre a cama e achega-se, fazendo sacolejar as molas do colchão, chocalhando os miolos do pai, emergindo-o das entranhas de seda e algodão.

– Bom dia, papá! Sabia que essa noite eu sonhei com você, e que nós estávamos em uma corrida de cavalos, e choveu, e os cavalos corriam pelas montanhas, até que ficou de noite e nos perdemos a caminho da praia, onde íamos colher conchinhas para dar de presente à mamãe? (mais…)

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Manhã de Primavera

 

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(Maringá – PR)

As últimas pétalas de ipêipe-amarelo amarelo pincelavam pela longa calçada, assíduas ao começo da nova estação. Gotículas de orvalho prateavam como um caleidoscópio sobre os finos espinhos de um pequeno cacto. Uma pálida orquídea brotava solitária enxertada no topo de um arbusto, ostentada como um cálice sagrado. O sol acordava descortinando-se acima de um lençol de nuvens peroladas, desdobrando as finas pálpebras turquesa daquela manhã de primavera, seus feixes de luz acariciando como dedos afáveis a copa das árvores, dedilhando suas madeixas florais com seu cafuné dourado, depois despindo por sua vez cada árvore da escuridão, como um amante ardente. (mais…)

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