Epitáfio

Valdirfilosofia

(Penápolis – SP)

Ju. Eu estou aqui porque tenho pensado demais em nossa relação. Nos sentimentos que tenho mantido por você e de tudo que estou passando sozinho, sem realmente você estar aqui, do meu lado. É tão frio. Eu não tenho suportado.

Sei que é difícil para você. Imagine o quanto é difícil para mim. O quanto eu gostaria de ser diferente. Diferente para mim e para você. Eu tento dizer para mim. Tenha paciência, um dia vamos nos encontrar. Mas sabe, Ju. Acho que não dá.

Eu não aguento mais tanta solidão. Eu não aguento aguentar essa dor que aquece minha mente, meu peito. Essa dor que machuca meu coração. Está difícil dizer para você assim. Eu estou aqui. Você… Você poderia me dizer algo.  Você me olha e não diz nada! Dizer suas famosas frases. Como eu queria ouvir de novo! Como eu adorava tanto suas frases: Valdir, eu odeio sua autocondenação. Sua esquizofrenia, sua autocompaixão.  Escolha, meu filho. Ou você é herói ou vilão. De onde será que você criava essas sentenças? Eu um professor extasiado com sua magia.

ipê brancoUm dia me levou para a praça, me fez sentar debaixo de um ipê, florido de branco. O outono fazia cair algumas pétalas sobre nós. Eu achava enfadonhas suas manias, seus passeios no meio do dia. O que você vê? Eu não vejo nada, Ju. Pelo amor de Deus eu preciso voltar ao trabalho. Deixe de ser rabugento, nego. Fica e veja. Pegava em minhas mãos (e eu adorava seu toque macio e quente sobre meus dedos dizendo eu estou aqui). Eu ficava. Olhava principalmente os carros que passavam e me olhavam perdendo o tempo, deixando o dinheiro escorrer, e a vida perder o sentido. Mas você era menina. Eu não conseguia ser menino. Queria tanto estar no mesmo tempo de vida que criara. Eu não consegui. Você lutava para me mostrar que na vida vale a pena olhar o que ninguém vê. Eu nunca vi a magia que tanto quis me provar. (mais…)

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