O Gato Mimi

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Era uma casa antiga, da época dos senhores de engenhos. Tinha um peitoril lindo, com alguns detalhes da arquitetura barroca. Uma escada central que se abria em ípsilon abraçando a fonte a sua frente, era o charme da entrada daquele casarão. Anjos gordinhos lançando jatos de água davam o clima celestial ao lugar. Ali o trabalho era árduo e em tempos de colheitas a presença de trabalhadores temporários aumentava muito a agitação da fazenda. (mais…)

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Tardes Vadias

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Era março do ano de 1993. Mas, bem poderia ter sido em qualquer época. Era inicio de mais um novo ano letivo. Aquela cidade do interior da Bahia mantinha sua tranqüilidade e tudo acontecia normalmente. Dona Mariana mãe de Pedro, de doze anos, já tinha tomado todas as providências para o inicio das aulas. Da matrícula, da compra dos livros, do material escolar e até o fardamento. Era uma expectativa muito grande da família em relação à nova escola que Pedro e Maria iriam estudar. Maria era uma turma mais nova que seu irmão. Todos aguardavam muito aquela nova fase dos dois. A mudança de escola aconteceu devido a distância da casa da família Almeida para a antiga escola e também a nova escola era diferente, tinha um novo modelo de ensino. (mais…)

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O Incrível Objeto de Chapecó

 

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Talvez aquele não fosse o seu desejo mais íntimo. A sua vontade verdadeira estaria somente em observar o voo livre dos pássaros e admirar aquela impossibilidade. Guaraci pela primeira vez sairia da sua aldeia. Encontrava-se doente, uma anemia grave que o deixava pálido e sem forças. Todos os recursos espirituais e de cura já tinham se esgotados. A pajelança há uma semana tinha sido realizada e até o momento nenhuma melhora tinha sido percebida. O pajé acreditava que em breve aquele espirito iria retornar para a convivência como os seus antepassados. Mas era muito cedo, Guaraci tinha somente dezesseis anos. (mais…)

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A Promoção

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(Salvador – BA)

Poucos minutos depois do café, Bruno já sentava na sua mesa. Olhava os primeiros papéis, separava algumas notas fiscais do dia anterior. Nem bem começou a atender o primeiro telefonema, quando ouviu um grande barulho, como se uma estante de aço fosse arremessada contra o chão. Em seguida ouviu muita correria e gritos de confusão. Tudo acontecia no corredor que dava acesso a sua sala e também ao portão do depósito. Pouco tempo depois tudo era silêncio. (mais…)

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Pôr do Sol em Humaitá

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(Salvador – BA)

humaitaEra verão novamente. Um ano já se passou, desde o único beijo. Sempre o mesmo desejo, sentir outra vez a mesma emoção. Por que o amor veio visitá-lo e não ficou? Qual o sentido daquela saudade? Qual a essência daquela força tão atrativa?

Francisco tinha vivido algo diferente. Aos trinta anos, o que agora ele sentia era estranho e único, jamais tivera tantas lembranças e necessidade de alguém. Desde o início das suas primeiras férias em Salvador, tudo acontecia de maneira mágica, inebriante. O primeiro pôr do sol vivido na Bahia foi no forte do Humaitá. Naquela tarde o mar e o sol seriam cúmplices. A vida trazia pela oportunidade um encontro imprevisto. (mais…)

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A Quitanda

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(Salvador – BA)

Já tinha passado muitoarmazem tempo. Talvez, umas quatro décadas. Sei que o tempo galopa, marcha de forma decisiva e definitiva para o amanhã. O tempo tem esta mania de amolecer o juízo da gente, e de repente a lembrança vai se esmaecendo, levando cada vez menos certezas às nossas recordações. Aquela quitanda, ali, presa na beira da rodagem, era a única na redondeza.

Era uma estrada de chão, barro vermelho, que rasgava aquele pedaço da mata atlântica. O cheiro de chuva na terra e os lamaceiros constantes que amuavam as mulas e os jegues que passavam em comboio de três, às vezes cinco, sempre carregados, permaneciam nas minhas lembranças. (mais…)

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