Três Degraus

          (Belo Horizonte – MG) Três degraus. O suficiente para ir longe e fingir que eu e ele nunca ficarmos perto. Desta cidade, dos seus rios ocultos e dos seus cantos dispostos a nos acolher e nos cobrir com sombras, dando aos nossos olhos a ilusão de ser invisível para os olhos dos outros, eu reconhecia as formas notas. Aquelas que, quando ele pegou a minha mão, se quebraram em muitas maneiras e ofereceram ao meu mundo a ideia que poderia ser mais bonito, se ele me quisesse mais do que eu estava disposta a admitir de querê-lo.

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Prisioneira

                    (Belo Horizonte – MG) Acho que adormeci. Nem me lembro de como. Tenho a sensação, não a certeza, que acontece frequentemente. Especialmente quando eu começo a me perguntar se existe uma maneira de viver para sempre. Porque que todos, mais cedo ou mais tarde, vamos morrer, para mim não é de conforto nenhum. Deve ser por isso que eu adormeci. Talvez nos sonhos há uma solução. Eu só tenho que me lembrar.

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Ela Não Sabe Nadar

        (Belo Horizonte – MG) Ela não sabe nadar, mas a falta de experiência não é uma boa razão para ficar longe do mar. Está muito irritada e, embora que tenha um monte de estranhos ao seu redor, se sente sozinha como nunca se sentiu. Acha que os seus pais amam a sua irmã mais do que ela e a raiva pelo que aconteceu pouco antes fortalece o seu convencimento. Estava brincando, tentando construir um castelo de areia. Estava se divertindo, até quando a sua irmã decidiu se intrometer, destruindo o castelo e tirando-lhe o balde e a pá. Os pais nem intervieram em sua defesa.

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A Última Caixa

        (Belo Horizonte – MG) Falta apenas uma caixa, intencionalmente deixada aberta. O resto já foi carregado no furgão. Eu disse aos caras que vou alcançá-los dentro de cinco minutos. Os últimos cinco minutos nesta casa. A encontrei através da sugestão de um amigo, há oito anos, pouco depois do divórcio. Uma casa acolhedora, com uma boa vista e um lindo quintal. Ideal para passar o fim de semana com meus filhos e o tempo restante na solidão, para pegar os pedaços de uma vida que foi subitamente quebrada. E, agora que eu estou indo para um novo começo, é difícil olhar ao redor sem sentir uma profunda melancolia. Não são muitas as coisas que ainda faltam. No final, grande parte do que permanece é lixo que eu poderia fazer sem, mas que vou levar comigo. A garrafa de Martini, em cima da lareira, me convida pra beber uma última gota. Resisto.

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