Trágico Destino

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(Santa Brígida – BA)

 

destinoFoi precisamente na cidade luz, situado no interior da fabulosa Bahia de todos os santos e encantos, que fora tecido os fios de algodão do branco destino. Os tecelões confabulavam com as estrelas sobre os primórdios dias de uma brusca fatalidade. O condão, este senhor cheio de peripécias, por muitas vezes nos prega das suas, com Ataíde da Mota Júnior não foi diferente.

Ataíde era um desses caboclos metidos a galanteador, dado muito a festa e namoricos com as ingênuas moçinhas, em especial, as dos povoados circunvizinhos a Paulo Afonso. Assim sendo, era típico encontrá-lo nos finais de semana, no qual Zezinho da Ema iria tocar sua sanfona.

Fora durante um desses forrós que o jovem paquerador conheceu a linda Carmelita. Uma jovem de soberba beleza, de olhar agateado, dona das mais sensuais e perigosas curvas, mais perigosas de que as curvas de Santos, os seus lábios carnudos eram convidativos ao beijo. (mais…)

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Confissões de um Curiboca

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Marcos Antônio Lima

(Santa Brígida – BA)

Seu padre eu vim aqui pro mode me confessar. Tem noite que não drumo de tanto penar, com a cuca doída eu não agüento mais ficar. Pro mode isso vim pedir pro Senhor me escutá. Penso noite e dia no má que fiz pra mãe natureza, ao desmatar. Precisava os meus fios dá de comer, e só vendendo lenha pra mode a feira arranjar. Sei que cometi esse tá de crime ambientar, mas seu padre num fale pros zome, pro mode eles não me levar.

A mata era muita, imensa capoeira sem fim que dava até pra esconder uma cabroeira inteira, certo qui hoje tá pouca. Os bichos foi embora, não se acha mais tatu nem preá. Muito menos codorna, nambu, curduniz e nem mêrmo imbú cajá. As veis seu pade, eu me ponho a pensar, oxênte home, tu não foi o único a mata derrubar, mais bem que tu podias evitar. (mais…)

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Os Verdes Campos

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Marcos Antônio Lima

   Os verdes campos do vale de Monte Alegre escondem uma terra vermelho feito sangue e úmida como um porão. A sua invólucra superfície é banhada por um sol de raios fúlvidos e multicor. Esse Imperador florescente paira sobre a pradaria colibri e seu libido germina a terra.  É neste pedacinho de chão que o beijar flor veraneia com a andorinha dos jardins de ária, e o carcará sobrevoa com asas de Ícaro.

   Apesar do sol escaldante e solo semi-árido, a terra é macia e fértil, e genuinamente sergipana. Nela brotam milhos de mandioca e batata aipim inglesa para as deliciosas guloseimas da avó. As gotas de orvalho cristalino se amalgamam em nuvens de algodão para saldar o alvorecer, e a inércia que habita o jardim é inapta para a desilusão. Observando amiúde o firmamento, pareço ver que ele trás espetado na constelação estrelas de muitas noites e eras que bailam feito acrobatas no palco do tempo.

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