Os Mistérios do Número Trinta e Três

assin-marcelo-almeyda

(São Paulo – SP)

Trinta e tr33ês, era o número que Rebeca insistia em pensar enquanto aguardava na plataforma do metrô a próxima composição. Enquanto repassava a agenda do dia, tentava acompanhar o vai e vem frenético dos transeuntes no horário de pico. Seus olhos castanhos, vivazes e espertos, iam da direita para a esquerda, cima a baixo acompanhando a mobilidade das pessoas que iam para a escola, trabalho e outros compromissos. O número trinta e três voltou a lhe martelar os pensamentos enquanto embarcava para mais um dia de trabalho.

Eram dez e trinta e três quando Anderson atendeu a chamada da campainha. A encomenda que tanto sonhara tinha acabado de chegar. Não contendo a emoção foi abrindo o embrulho, deixando os resquícios da embalagem casa afora. O objeto, uma pistola automática calibre 45, reluzia em suas mãos enquanto tentava manuseá-la em gestos ainda bruscos. Caminhou até o móvel antigo que era de sua avó no quarto de ferramentas e abrindo a segunda gaveta enferrujada encontrou o pacote de projéteis que buscava. Seu plano de vingança ia finalmente se completar. (mais…)

Leia Mais

Esther, Um Novo Recomeço

q hotel

Marcelo Almeyda

(São Paulo – SP)

Era madrugada, do lado de fora das janelas o silêncio da cidade invadia as residências que a cercavam. Num quarto de hotel, mergulhada em sentimentos controversos de saudade, melancolia e solidão, Esther depois de chorar pela enésima vez, analisa todas as linhas da carta recebida de seu ex-amante Antônio.

Em cada palavra escrita, um momento vivaz se fazia em sua mente, a alegria das risadas sem esforço, os beijos ardentes e a lembrança dos corpos nus embaraçando-se aos lençóis de sua cama. Ao momento mais quente de seus delírios quando sua face chega a ruborar, a realidade fria do quarto vazio lhe faz derramar outra lágrima. Seguir em frente torna-se difícil para um coração acostumado aos carinhos de um só rapaz. (mais…)

Leia Mais