A Máscara do Tempo

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idoso-bebendoTodos os sábados o casal de velhinhos, atravessava a rua e ia para o bar da esquina Ele de nome Silvio, tinha um semblante sério, mal humorado, ela, cansada pela idade, tinha feições meigas, as rugas profundas, pareciam marcar a história de sua vida.

Sentavam na mesma cadeira do bar, Silvio pedia cerveja, e conversavam banalidades, mas lá pelas tantas da tarde, ele começava a ofender a parceira de bar, que só bebia refrigerantes, talvez a maneira discreta de acompanhá-lo na bebida. Silvio a ofendia culpava-a de sua infelicidade, ela o olhava, num olhar vago e meigo, ele dizia de sua solidão, que marcava a história de sua vida, culpava-a de não ter filhos, e dizia que odiava seus olhos azuis, suas rugas e seu silêncio. (mais…)

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Um Voo Para o Infinito

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A música suave fazia parte do cenário íngrasa-deltaeme do Parque da Cidade, começava a primavera e as flores já se destacavam nas matas, ipês amarelos, quaresmas e outras árvores convidavam os pássaros para compor a beleza daquele local. Raios do sol reluziam nas folhas, pareciam luzes da ribalta dourando as pedras, o motor do carro até era suave diante aquele cenário natural, obra de Deus.

Sheila e Francisco sorriam felizes para mais um final de tarde de vôo livre. O céu azul com nuvens em blocos parecia que Deus passara por ali, os pássaros em revoada bailavam como se uma orquestra invisível tocava a mais linda canção dos anjos. Sheila ficou pensativa, olhava para a natureza viva ao seu redor, e pensou nas palavras de sua mãe que a alertava do perigo de voar de asas delta. Francisco percebeu o silencio dela, e levemente segurou sua mão numa linguagem carinhosa que só ela conhecia, e o conforto daquela segurança, a fez voltar para a alegria de poder voar livre como os pássaros. (mais…)

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Correnteza de Ouro

correnteza de ouro

Lira Vargas 

(Niterói – RJ)

A guerra na Coreia do norte e sul ainda devastava aquela nação.

Sean jeito de viver em  silêncio era atribuído a tensão que a guerra causava a todos. Via todos os dias centenas de pessoas morrerem, famílias se perderem na tentativa de fugir dos bombardeios. Ele se refugiava nos arrozal. Ele não entendia, mas sentia que na imensidão do céu tinha uma força que ele aprendeu que era Deus, e na linguagem sem muita explicação, pedia que acabasse com aquela guerra.

Na manhã os bombardeios foram intensos. Ele se abrigou. Seus pais ficaram em casa, e pediu a Deus que o tempo parasse, ou passasse rápido, ele tinha medo do que poderia acontecer a sua família. Todas as vezes que tinha bombardeios era uma incerteza, quem sobreviveria, era questão de sorte.

Depois que o bombardeio cessou, ele retornou a procurar seus pais e irmãos. Deparou com a cena que que jamais esqueceria. Sean sentou no chão e chorou. Envolveu os joelhos e escondeu o rosto, era uma tentativa de findar aquela dor. (mais…)

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Lençóis ao Vento

lençóis

Lira Vargas

(Niterói – RJ)

O sol ainda secava as últimas gotas de orvalho de uma noite fria de outono. As folhas da mangueira forravam o chão do quintal, avisando que novos frutos estavam por vir. Era bonita aquela estação, o vento desfolhava com carinho as árvores, dando lugar a vida prometida. Quando uma mulher tinha seu ventre apertando as roupas simples, eu olhava para os frutos apetitosos das amendoeiras, e pensava que ali o fruto de algumas noites de amor também era obra do outono.

Não sabia explicar, mas aquela estação fazia bem aos meus pensamentos. Minha mãe levantava cantarolando uma canção popular, na cama eu e meus irmãos ainda sonolentos, ouvíamos sua voz como um aviso de  que era hora de levantar. Eu fingia ainda dormir, porque a preguiça e a cama quentinha era um convite para ficar encolhida sob os lençóis com emendas, restos que ela ganhava de suas freguesas. E aquela sensação de conforto não permitia despertar. (mais…)

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