O Pequeno Relato Sobre o Meu Patrão Assassino

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Memorandos, cartas, contas a pagar, telefonemas, marcação de consultas, reuniões. Jantares com sua esposa… jantares com suas amantes. Está tudo aqui neste meu arquivo. Uma pequena pasta e algumas subpastas, arquivos dentro de arquivos, dentro de arquivos, dentro de outros arquivos. Informações que deixam sua vida em minhas mãos, é o que parece. Já que eu sei tudo sobre ele. (mais…)

Leia Mais

Sonho Inquieto No Velho Oeste

 

 

 

 

 

(Salvador – BA)

I

Sei que estou sonhando…

Olhei novamente a pistola.

A fumaça saía do cano traçando um desenho no ar que parecia uma cobra. Traguei a fumaça que saía do cano e senti um prazer que era somente meu e somente meu em momentos como esse. Dei um sorriso de garotinho que prova o pudim pela primeira vez.

O outro estava do outro lado… um nêmeses abatido… de repente eu o notei e fiz uma careta de escárnio. (mais…)

Leia Mais

A Dama da Estrada

 

 

 

 

(Salvador – BA) 

I

Tinha algo de estranho no ar. Primeiro eu vi – numa fração de segundos – uma poeira esverdeada passando, e de repente fui obrigado a fechar os olhos com força, num ardor terrível. O coração batia forte e mesmo que minha mente não pudesse dizer nada a respeito do que estava acontecendo, meu corpo inteiro sentia que algo muito horrível estava acontecendo. Ao meu lado estava ela… a estranha sem nome.

Logo ao anoitecer entrei numa taverna perto de uma estrada escura. Era um forasteiro e todos me olharam. O alaúde silenciou-se por alguns minutos. Acredito que após uma boa olhada em minha pessoa, concluíram que não oferecia ameaças, e continuaram então a beber e cantar, muito animados. (mais…)

Leia Mais

Se Kafka Morasse Aqui Perto

 

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Carlos andava pela passarela do Porto da Barra e era madrugada. Existia alguma iluminação por ali desde que o prefeito reformou as orlas. Só que do outro lado ainda reinavam as sombras e os bichos do submundo. Carlos estava praticamente só na passarela. Haviam sombras do outro lado, sempre existes sombras nas ruas. Sombras de gente que não se considera gente ou sombras de gente cometendo pequenos delitos escondendo-se no véu da madrugada. Carros eram proibidos ali e todos andavam ou se arrastavam. (mais…)

Leia Mais

A Dança do Corre Nu

assin-henrique-britto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Salvador – BA)

I

Chovia. Era natal de 16…

E dentro da cabine, Jesus apertava com força o telefone na orelha. O sinal estava péssimo. O celular de Jesus tinha sido roubado por um pivete na semana passada.

Tinha uma lista de amigos e parentes num papel laranja surrado… eram dezoito pessoas. E estava discando há mais de uma hora. As pessoas não atendiam… ou atendiam e conversavam pouco. O que existiu anos atrás não foi conservado. Não há formol nos assuntos da vida. Não há Banho Maria. Não dá para enlatar um relacionamento e abri-lo quando sentir fome. (mais…)

Leia Mais

Meu Eterno Começo

assin-henrique-britto

 

 

 

 

(Salvador – BA)

penhascoAntes de Clarice se suicidar, ela fez um pedido. Como quando atiramos uma moeda num poço. Só que atirando a si mesma, num grande penhasco. Eu sabia que tinha estragado tudo e que era difícil pra ela se reerguer e pensar no fator de cura do tempo… essas coisas que as mensagens de e-mails sempre nos dizem. Mas, nesse caso é verdade. O tempo cura qualquer coisa.

Nada vinha em minha cabeça que pudesse convencê-la de não se jogar e o penhasco parecia um imã que a puxava mais e mais e ela dava passos curtos, ainda um pouco indecisa.

– Pense em nosso começo, baby… – Eu disse com uma voz trêmula, num timbre que parecia uma criança assustada. – Tivemos um incrível inicio! (mais…)

Leia Mais

O Covarde

 

assin-henrique-britto

 

 

 

(Salvador – BA)

lago-taquaralA brincadeira no lago era uma brincadeira de assassinos. O lago era fundo e moradores locais diziam que estava cheio de piranhas, mas era um modo de impedir que as pessoas se aproximassem. Não acreditamos na mentira. Mas mesmo assim algo me dizia que se fossemos, não iríamos retornar. Uma brincadeira não vale o risco.

O desafio era aparentemente simples: atravessar o grande lago nadando. Ninguém nunca tinha conseguido atravessar. O mal vivia dentro daquele lago. Algo tão ruim que fazia as pessoas desaparecerem. Os corpos nunca eram encontrados. Éramos apenas quatro adolescentes procurando adrenalina. Dois casais. (mais…)

Leia Mais