Diamante Negro

        (Santana do Parnaíba – SP) Quatros horas da madrugada de uma quinta-feira. O despertador, no celular de marca chinesa questionável, toca pontualmente e chama Maria Clara para mais um dia de batente. “Méri”, como é chamada pelos companheiros de batalha diária nos trens suburbanos que correm pelos trilhos que atravessam a cidade grande. Levanta-se sem reclamar ainda que com certa dificuldade. Logo está ajeitando os longos cabelos cacheados, típicos também em todas suas três irmãs afrodescendentes, adornados com uma faixa acessória de listras verde-água e brancas, que a faz sentir-se bonita e preparada para mais uma jornada. Maquiagem leve, batom suave, tênis, jeans, camiseta e uma blusa média amarrada na cintura completam o uniforme. No aconchego da pequena casa de tijolos sem reboco , formada de quarto, cozinha e banheiro, ela rapidamente faz sua refeição matinal resumida a um pãozinho amanhecido lambuzado com margarina e acompanhado de um copo de leite frio. […]

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