No Badalar dos Sinos

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Olhando para a taça quase vazia pediu ao barman outro drinque.

Voltado para o interior do bar, sentado sobre uma cadeira alta, corpo inclinado à beira do balcão não desviava o olhar para lado algum a não ser para a vistosa bebida. Aguardava imóvel o preparo de mais um coquetel pedido enquanto o barista exibia habilidade e destreza com a taça, provando a sua perícia com chacoalhadas para o alto e para o baixo, movimentando o liquido colorido, espumante, tentador, contido no copo de cristal. (mais…)

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Folhas Caídas Pelo Chão

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

O verão se fora levando com ele seus agradecimentos. Não existia muita simpatia pela estação quente do ano, pelas praias desfrutadas pelas pessoas, pelo sol carregando a noite para mais tarde, pela alegria maior que emana de todos nessa época do ano.

A sua preferência era por um clima mais ameno, tal qual o clima de outono. Sempre teve dificuldade para fazer amizades, por isso passear pelas ruas arborizadas da pequena cidade do interior era sua predileção. (mais…)

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Papel de Pão

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Quem tem os cabelos branqueados ou é calvo por obra do passar do tempo deve lembrar quando o pão, nas padarias, era vendido em bisnagas ou “filão” como era denominado e servido envolto em um papel de baixa qualidade, liso, branco-amarelado, com pequenas manchas claras parecidas com uma marca d’água, porém muito útil para escritos, anotações, lição das crianças e para se confeccionar barquinhos de papel. (mais…)

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Viaduto da Morte

 

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Houve um tempo, lá na Capital do Estado de São Paulo, que era moda o suicídio das pessoas pulando do Viaduto do Chá. Não só ele, mas também o seu vizinho, o Viaduto Santa Efigênia, desfrutava desse “status”, porém em grau de menor intensidade.

Raramente um dia se passava sem que o camburão de transportar cadáveres da polícia não era acionado para recolher um desesperado que se atirara do viaduto e estatelara lá em baixo, no asfalto da avenida. (mais…)

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Mágoas na Carne e na Alma

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

 

Formado por modestas instalações o pequeno e simplório salão de barbeiro localizado no ponto final da linha de bondes elétricos em um bairro pobre da cidade grande estava resumido a duas cadeiras profissionais da marca “Irmãos Campanile”, aparadores onde se sobrepunham os utensílios de trabalho, espelhos fixados à frente e alguns assentos de esperar como itens principais. A parede maior, em outros tempos recebera uma demão de cal, agora riscada pelo roçar dos encostos dos bancos de espera mostrava alguns quadros de madeira que emolduravam fotografias em preto e branco. (mais…)

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Aviofobia: Difícil Superação

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Numa noite maravilhosa exibindo um céu azul de brigadeiro, aquele avião parado na pista acenava para uma tranquila viagem, de algumas horas, a uma cidade distante. Passageiros procuravam seus lugares antecipadamente marcados, dando prioridade as senhoras e aos idosos, num verdadeiro palco exibindo pessoas finas e educadas. Da primeira classe já se podia ouvir o som emitido pelo estouro na abertura de garrafas de champanhes saudando os mais beneficiados pela sorte.

O professor, mesmo na véspera da viagem, muito antes de embarcar já antevia todas as cenas que temia e a ansiedade a cada momento fazia aumentar seu descontrole. Agora, ainda na fila de embarque já transpirava frio, tremia involuntariamente apesar do calor intenso e de todos os poros de seu corpo jorravam gotas de suor. Porta do aparelho aberta, tendo à frente uma bonita e sorridente comissária abrolhava boas-vindas aos passageiros, o que não impedia as pernas de nosso amigo tremerem explicitamente, cada vez mais.

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Rosas e Feijões

 

 

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Os tempos se foram, as amizades se foram, somente o apelido não se foi: Feitiço!

Por culpa de uma namoradinha, dos tempos de adolescente, pois em certa ocasião declarou, vaidosamente, alto e bom som entre os amigos que ele a havia enfeitiçado com seu olhar luminoso e ela não conseguia, apesar de todos os esforços, livrar-se dessa força mágica emanada dos seus lindos olhos negros, causadora do forte encanto. Foi o suficiente, o bastante para eternizar entre os jovens amigos de ambos, a denominação do fenômeno imputado ao moço encantador: Feitiço!

Quando um imprudente colega batia à porta de sua casa, procurando pelo Feitiço, sua mãe furiosa afugentava sem nenhuma cortesia o visitante, com mau humor evidente, dizendo que ali naquela casa não existia ninguém com esse nome, recusando a repetir o termo usado pelo imaturo amigo de seu filho querido. (mais…)

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Um Corpo Caído

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(Presidente Prudente – SP)

pistola 380– Um médico, por favor, rápido!

Aos gritos, populares pediam para socorrer um homem tombado no meio da rua, já imóvel e golfadas de sangue manchando a camisa.

Vítima de mal súbito, nada mais se podia fazer…

Na mesma forma que Chico Buarque em sua “Construção” narrou “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”, aquele corpo estendido no chão jazia na avenida de tráfego intenso e curiosos se aglomeravam em torno dele, alguns vendo naquilo uma tragédia, outros definiam a ocorrência somente como grande empecilho, causando aborrecimento para o seu dia. (mais…)

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Pato Mal-Humorado

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(Presidente Prudente – SP)

biguaEle subia voando sobre as águas do rio e descia boiando, sempre atento e a cada pouco mergulhava para surgir logo adiante balançando a cabeça e chacoalhando as penas, flutuando e mergulhando rio abaixo, novamente. Numa de suas passagens pelo local à beira do barranco onde o homem se encontrava, ouviu o comentário do pescador:

-Tá ruim de peixe, hoje, hein pato!

Na volta de mais uma de suas subidas e descidas, ele chegou bem perto do homem, quase junto da sua vara de bambu fincada na beira do barranco e respondeu:

-Eu não sou pato, seu imbecil. Eu sou um biguá, também conhecido como mergulhão e meu nome científico é phalacrocorax brasilianus.

Após o susto, incrédulo em ouvir um pato falar o homem ainda teve tempo de responder, antes que a ave sumisse sob as águas: (mais…)

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Fraqueza

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(Presidente Prudente – SP)

chuva-parabrisasLembra-se? Anoitecia, era um sábado, de uma semana qualquer.

Afinal, não faz muito tempo. Naquele hipermercado lotado, carrinhos conduzidos por pessoas e que batiam uns nos outros, gente se acotovelando, empurrando, naquele mesmo lugar, outra vez, eu te avistei.

Estavas, como sempre, linda, imponente e majestosa, fruto, pensava eu, da sua linhagem soviética. Mais do alto olhava-me disfarçadamente e com discrição, própria da sua altivez alicerçada na origem de uma autêntica czarina.

Esforçava-me para te ignorar, porém não conseguia. Lembrava-me de outras vezes, tempos em que juntos passávamos momentos agradáveis, quando chegava eu ao delírio após crises de grandes alegrias ou abatido por pequenas tristezas, já que o raciocínio corria solto sem poder me conter, sem poder ordenar as ideias, modificando meu comportamento sem sequer você se importar ou tentar me refrear.  Aliás, impedir-me é coisa que você nunca fez, sempre zombou dos meus excessos e de meus devaneios. (mais…)

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