O Zepelim Azul

 

 

 

 

 

(Orlando – FL – USA)

Era um lindo zepelim azul, tendo como fundo, o outro azul infinito do céu. No começo, ninguém percebeu. Era uma cor em cima da mesma cor, quase não dava para notar. Aos poucos, porém, aquela visão fantástica chegou tão perto que a palavra se espalhou. E vieram crianças, e vieram adultos, casados, solteiros, e por casar. Padre, prefeito, vereadores e tudo mais. Gente que nunca saía, saiu. Todos, boquiabertos, olhando para cima. E aquele dirigível enorme foi chegando e baixando cada vez mais. (mais…)

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A Represa

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(Orlando – FL – USA)

Arlindo tinharepresa a sua pequena horta, uma criação de galinhas, e um pequeno barraco para dormir. Morava sozinho, de que mais precisava? Estava muito bem assim. Não tinha vizinhos, e a sua “propriedade” ficava no começo de uma pequena elevação. Não tinha documentos daquilo tudo não, mas quem tinha, naquele fim de mundo? A parte mais difícil era a água. Tinha de andar quase dois quilômetros para conseguir aquela preciosidade de líquido, num pequeno riacho que, graças a Deus, estava sempre à disposição. Para as plantas, usava uma água meio barrenta que havia por ali mesmo. (mais…)

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Demônios do Alabama

 

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(Orlando – FL – USA)  

Samuel estava sedemonios-alabamantado sobre a sela de um cavalo naquela manhã longínqua de primavera. As pessoas à sua volta gritavam, excitadas, palavras de insulto, xingamentos e outras impropriedades. Ele mal entendia o que estava acontecendo, mas sabia que não era nada bom. Em volta de seu pescoço havia uma corda que, mais acima, estava amarrada ao galho de uma árvore. Era o começo do século 19 numa pequena cidade do interior do Alabama, nos Estados Unidos, e ele estava aguardando sua execução.

O povo tinha verdadeira obsessão por enforcamentos e é por isso que muita gente havia se juntado na pequena praça. O carrasco e mais as autoridades estavam aguardando a chegada de alguém importante para presidir o ato e o povo estava ficando impaciente. Queriam ver o espetáculo. (mais…)

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O Segredo do Menino

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(Orlando – FL – USA)

Não havia mais nada o o-segredo-do-meninoque fazer. As chamas já estavam bem altas, o fogo era incontrolável. Os bombeiros pareciam inertes, as pessoas olhavam incrédulas e assustadas para a velha igreja que ardia num incêndio incontrolável. Era começo de noite e aquela luz vermelha iluminava o rosto das pessoas, as paredes brancas das casas vizinhas e tudo que estava próximo. Muitos estavam simplesmente mudos diante do espetáculo, outros choravam baixinho, uns poucos falavam alto. Conversas paralelas tentavam atinar com as causas do incidente. Falavam em velas acidentalmente caídas sobre os bancos de madeira, falavam sobre fios elétricos velhos e descascados. Até em coisa do demônio se falava. (mais…)

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Joana, Jerônimo e o Caleidoscópio

Flavio Cruz

(Orlando -FL- USA)

Não sei que loucura que deu na cabeça do seu Juvenal. O lugar onde ele e dona Maria moravam já era um fim de mundo. E, mesmo assim, ele resolveu se mudar para mais longe. A Maria aceitou, porque ela era mulher de aceitar, mas não conseguia entender a cabeça do marido. Em parte, ela sabia sim. Era um danado de um eremita, parece que tinha medo de gente. Por ela, não ligava não. O que mais a preocupava era a criança. O que a Joana, uma menina de três anos, ia fazer num lugar daqueles?

Criança acaba sobrevivendo a tudo. E Joana criou seu mundinho de fantasia ali mesmo. Os vizinhos mais próximos não tinham nada de próximos, estavam bem longe.  O Jerônimo era mais fácil de ser ver do que eles. Ele tinha uns 20 anos e seguiu a carreira do próprio pai. Uma espécie de caixeiro-viajante do sertão. Trazia coisas que as pessoas que moram no fim do mundo precisam. Um pouco de sal, tempero, pimenta. Sim, claro, farinha de trigo, que as outras, de mandioca e milho, a Maria mesmo fazia. Pedaços de pano, retalhos às vezes trazia igualmente. Não havia vaidade naquelas pobres mulheres perdidas naquele buraco. Mas um pouquinho sempre há, acho que é antropológico. (mais…)

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A Luz de Helena

 Flávio Cruz

(Orlando – FL – USA)

apto grad

Helena estava furiosa. Tinha acabado de brigar com Fernando, seu marido. Pegou a bolsa, bateu a porta do apartamento com força, e saiu. Entrou no elevador, deixou o prédio e começou a andar a esmo pelas ruas. Depois de uma meia hora, percebeu que estava próxima da residência de sua irmã. Resolveu, então, ir até lá e chorar suas mágoas. Sétimo andar. Rose a recebeu com um abraço gostoso e ela respondeu com soluços. Contou tudo, abriu a alma. Tomou duas xícaras de chá, um calmante. Depois de umas três horas e bastante conversa, estava bem melhor. A conselho de Rose, voltou para casa. Deveria conversar com o esposo, curar as feridas, acertar os ponteiros. E foi. Décimo andar, apartamento 102. Ao tentar abrir, viu que a chave não servia. Nervosa? Colocando a chave ao contrário?  O lugar estava certo, lá estava a decoração do último natal, inconfundível na entrada. Enquanto pensava, alguém abriu a porta. Não era o Fernando. Nem de longe se parecia com ele. Sem pedir passagem, foi entrando e olhando pelos cômodos para ver onde ele estava. Só encontrou a esposa do ‘”novo” morador. Sem entender nada, desesperada, perguntou desde quando eles estavam ali. A resposta foi “mais de 5 anos”. Pediu desculpas, saiu, olhou bem o corredor, os detalhes, tudo. Era seu prédio, era seu apartamento, era seu andar. Obviamente havia algo muito errado. Resolveu voltar até a irmã. Estava, porém, com vergonha de contar aquilo. Estaria ficando louca? (mais…)

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