O Par de Nozes

 

 

 

 

 

(São José do Rio Preto – SP)

Era um tanto quanto difícil levantar as pálpebras com a luz do sol que entrava entre as frestas da persiana – especialmente aquela que, de forma aparentemente estratégica – se posicionava bem na direção de suas pupilas. Ela cintilava à medida que o vento entrava pela janela e balançava a cortina, de modo que, nos momentos em que o raio solar brilhava em suas bochechas, ele aproveitava para abrir ligeiramente os olhos e examinar o lugar.

– O armarinho branco, a camisola azul, o lençol verde piscina, a agulha no meu braço… Ah, claro, o quarto do hospital. Já era de se imaginar. Onde mais eu estaria? – disse, pausadamente, entre alguns profundos suspiros. (mais…)

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A Volta

Dona Iaiá

(São José do Rio Preto – SP)

catsAo longe, ele avistou uma senhora cujos olhos se transformavam nas nascentes de dois rios tranquilos. Eles vinham assim, lentos e pesados, abrindo caminho por suas rugas até que, finalmente, encontravam a foz em seu queixo, de onde caíam tristes e formavam pequenas manchas molhadas no tecido do vestido florido.

Aproximou-se devagar, compadecido diante da imagem tão melancólica que se formava com a figura da senhorinha aborrecidamente sentada no banco da rodoviária enquanto os últimos poucos raios de sol do dia atingiam suas mãos cansadas e parte de seu colo. Ela olhava para baixo, com as costas arcadas e a boca entreaberta, enquanto alguns legumes rolavam para fora da sacola de feira deixada no chão, bem ao lado de seus pés. Atônita, observava o trajeto que eles percorriam, quase até a sarjeta, sem nada fazer. (mais…)

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