Alegrias

        (São Paulo – SP) Como sempre, o caminhão da Prefeitura circularia a praça da matriz, pararia no primeiro cruzamento, e recolheria o que encontrasse amontoado na calçada. Mesmo sendo uma cidade pequena, os funcionários não teriam tempo para papear. Era agarrar todo o lixo, jogar para dentro do compactador, e seguir adiante até o próximo monte. Mas porque houvesse pouca coisa para ser recolhida, apenas um dos lixeiros saltou da traseira do veículo e começou a fazer o trabalho. O outro permaneceu a postos com as mãos nas alavancas, esperando que o último saco fosse jogado. Mas no momento em que a placa de metal descia para esmagar todo aquele monturo, o gari que a operava pôde distinguir um último pedido de socorro, um derradeiro lamento de bebê. No mesmo instante, ele abortou o ciclo de compactação, e gritou para os companheiros pedindo ajuda! Por entre sacos plásticos, encontraram uma caixa […]

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Meras Coincidências?…

        (São Paulo – SP) João Paulo nunca deu importância para o horóscopo. Para ele, portanto, ter nascido sob o signo de capricórnio, com ascendente em peixes, jamais influiu no seu bom humor ou pesou nas decisões que teria que tomar. Sua mãe, pelo contrário, não se atrevia a dar um passo para fora de casa sem antes consultar as previsões do jornal. Aliás, dizia com orgulho, a união de mais de trinta anos só deu certo porque além do seu signo combinar com o do seu finado marido, no dia em que ouviu o tão esperado pedido, os conselhos do zodíaco eram mais que favoráveis.

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Reparação

        (São Paulo – SP) Sempre torcia o nariz quando ouvia que “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.” Não que algum dia Oscar Wilde me tivesse aborrecido… É que, na verdade, nunca achei um exemplo que se amoldasse às suas palavras e me satisfizesse. Mas os anos sucedem-se, e, coisa fantástica! não é que me vejo como uma luva, assentando-me àquela afirmação?

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Bastava Pedir

                  (São Paulo – SP) Quando Patrícia contava oito anos de idade, seu desenho favorito era interrompido por uma propaganda em que um idoso muito simpático presenteava a esposa com uma linda rosa vermelha. Essa cena, agradável aos olhos, corriqueira entre os que se gostam, deitou no coração infantil a semente de um desejo – ganharia de seu príncipe a mais linda das rosas.

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Um Conto (diferente) de Natal

        (São Paulo – SP) Como sucedia todos os anos, Consumereville fervilhava à espera do Natal. Não havia, assim, um só recanto que não tivesse sido decorado com esmero, fosse com luzes cintilantes, com enfeites primorosos, ou com gravuras do Bom Velhinho. Seus habitantes seguiam rigorosamente as tradições. Assim, os corais encantavam nas calçadas, as árvores enfeitadas embelezavam as salas das residências, as meias coloridas já estavam penduradas nas lareiras, e as cartinhas rabiscadas pelas crianças já haviam sido enviadas para Papai Noel. E como sempre nevasse, as crianças brincavam de trenó, construíam bonecos e batalhavam com bolas improvisadas. No entanto, algo de muito estranho estava prestes a acontecer…

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Inversão de Papéis

       (São Paulo – SP)   Quando o Coronel Ermenegildo de Castro leu a notícia de que a oposição iria impedi-lo de inaugurar o tão sonhado chafariz na praça central, amassou furioso o Correio Matutino, desfiou um rosário de vitupérios e arremessou o copo de cachaça contra a parede. Afinal, ponderava, o fato de ter mandado incrustrar-lhe a própria efígie em nada arranhava a honradez de sua administração. Esse mimo, pagara-o do seu bolso, num ato de extremo desprendimento. Que mal haveria então? – Foliculário! – chamava-o o autor do artigo, seu arqui-inimigo – Nem a imprensa nem a Justiça me amedrontam. O cronograma será mantido, e ai daquele que tentar me atrapalhar!

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