O Último Sopro de Vida

 Crowvox

(Palmas – TO)

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Ela acordou aindúltimo soproa com os sentidos desnorteados, sem saber onde estava ou ao menos quem era, como alguém que acorda meio assustado de um sono profundo em que houve um pesadelo. Apesar de abrir os olhos meios lacrimejantes, nada pode ver. Estava envolta em uma completa e sinistra escuridão. Tentou mexer os braços e as pernas no intuito de levantar-se, mas algo a impediu. Agora, já sabendo que se chamava Ana, ela começou a perceber que estava trancafiada em algum local. Madeira, sim, madeira era o que separava o seu corpo do resto da existência. Ana gritou, pediu socorro. Esticou os braços o mais forte que conseguiu. Ao tocar a parte superior de onde estava ela notou que pequenas nuvens de poeira atingiram sua pele. Ela sentiu uma pequena dor em um dos dedos da mão esquerda, parecia uma queimação na pele, como alguém que toca em uma urtiga. Ela ficou algum tempo sem querer acreditar naquilo, achou que novamente acordaria, agora de verdade, que despertaria ao lado de seu marido e faria café para ele e seu pequeno filho de sete anos de idade. Fechou os olhos, contudo não conseguiu despertar do real pesadelo. Trancafiada naquela penumbra solitária ela entendeu que havia sido enterrada viva. (mais…)

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