A Moça do Vestido Verde

Aristóteles da Silva

(Mogi das Cruzes – SP)

moca-vest-verdeVontade de desaparecer. A cada pessoa que entrava na sala de reuniões seu coração parava. Talvez tivesse sorte, ela podia não aparecer. Vã ilusão. Ninguém podia faltar nas avaliações de desempenho de sexta à tarde. Não sem ter uma excelente desculpa. Quase conseguira uma. Fechou um contrato de fornecimento de serviços para um condomínio na Cantareira. Veio pelo Centro e depois desceu a Av. Rebouças, ao invés de vir pelas Marginais.Tudo para não chegar a tempo no escritório na Faria Lima. Mas nem o trânsito paulistano ajudou. Por alguma obra de São Cristóvão estava tudo fluindo milagrosamente bem. Em um aparte esquizofrênico, escutou seu pai gargalhando na sua cabeça:-“Ou de Santa Maria Madalena! Hahahaha!” (mais…)

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Só Nos Resta Viver

onibus

Aristóteles da Silva

(Mogi das Cruzes – SP)

Olhava vagamente para a paisagem pela janela do ônibus. O trânsito estava carregado, mais do que de costume. Ia demorar uns trinta minutos para chegar no seu ponto. Tudo bem. Tinha que dar é graças a Deus por morar tão perto do serviço. O de amanhã levava duas horas, tanto para ir quanto para voltar. Mas trabalhava bem menos. Ao pensar nisso aproveitou que não tinha ninguém sentado ao lado dela e se espreguiçou. Não tinha parado um minuto hoje. Era sempre assim nesse serviço. Eram vários lugares para limpar e com uma encarregada chata, implicante. Bem, a verdade é que só reclamava enquanto trabalhava. No outro, quantas vezes ficava um tempão sem ter que fazer nada. E sempre tinha mais buchicho com as colegas. É, esse era bem melhor. Vinha, cansava o corpo e o tempo passava rapidinho. Mas como chegava cedo eram os dias que tinha aproveitar para fazer o serviço de casa. O apartamento era pequeno, sua filha ajudava, mas era bastante coisa que sobrava. É, este é para trabalhar, o outro para descansar. O importante era que os dois pagavam. (mais…)

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