Calma Como a Própria Tempestade

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(Patos de Minas – MG)

casal-camaEu não sei ao certo como agir ou o que falar logo após a pessoa virar de repentinamente e dizer que ela me ama, eu não saberia como agir nem mesmo com um aviso prévio, na verdade. Ela simplesmente acordou ao meu lado, como já faz há meses, insistiu em me acordar com carinhos debaixo do cobertor e disse que me ama, olhando profundamente em meus olhos…

Não tive reação. Não achei bom acordar assim. Talvez tenha sido um pouco bom. É bom saber dessas coisas, apesar de não me achar merecedor de amor algum, de quem quer que seja. A minha incapacidade de reagir positivamente a isso, à fez mal. Sempre a faz mal.

Acho que a respondi apenas com um sorriso de canto de boca e dei logo um pulo da cama. Apenas de cueca, fiquei olhando da minha sacada, a chuva que começava a cair lá fora. Estava um clima tempestuoso, isso me acalma. Sempre me sinto bem em dias de tempestade. Gosto do clima caótico. De saber que muita coisa pode estar por vir e não saber se virá mesmo ou quando virá.

Gosto quando estou de costas e ela vem nua até mim e me abraça por trás, a sua pele é tão macia, cheirosa e o seu toque é muito suave. A sensação é boa, mas eu nunca disse isso a ela. Eu não saberia como dizer. Às vezes acho que ela me conhece melhor do que eu mesmo me conheço. Talvez eu nem precise dizer nada a ela, ela parece já saber de tudo, principalmente quando vem até mim trazendo um copo de vodca, ás vezes de café, e com o meu cigarro aceso em sua boca avermelhada.

Às vezes sento em minha velha escrivaninha à noite e começo a escrever alguma coisa em meu notebook, o que é quase uma rotina diária, e me perco olhando as luzes da cidade pela minha janela, divagando sobre a vida. Ela tem um jeito estranho de me fazer ter foco. Ela não aceita que eu a troque por mais nada, além do escrever, nem mesmo por uma bela paisagem da cidade noturna.

Ela sempre me seduz fácil demais. Adora desfilar na minha frente de lingerie, saindo do banho só de toalha ou com os seios a mostra. – eles são perfeitos – Ela mexe com os meus desejos mais íntimos, com uma facilidade sem igual. Provoca-me o tempo todo! Esfrega-se em mim, sentasse no meu colo, morde o meu pescoço, aperta as minhas cochas com um ar de safadeza… Quase ninfomaníaca. Não sei se posso denominar como possessividade o jeito dela agir, mas ela só se acalma quando ela tem toda a minha atenção só para ela. Quem a vê andando na rua acha que ela é como qualquer outra jovem e bonita com todo um futuro comum pela frente, mas quem a conhece intimamente, como eu, discordam completamente disto.

Ela sempre lê tudo que eu escrevo, até mesmo enquanto ainda estou escrevendo. Ela já passou horas me admirando enquanto escrevia, pacientemente, fria, quase imóvel. Ela gosta de lê e se interessa de verdade por tudo que eu produzo, mas sempre morre de ciúmes das minhas personagens. Vive brigando comigo, me dando tapas, me arranhando, fazendo cara feia, pisando forte no chão de madeira, batendo as portas e pedindo para eu mudar alguma descrição e colocar mais ela em meus textos. Mas eu nunca cedo. O que ela não vê, é que eu não quero compartilhar ela com mais ninguém. Quero-a só para mim.

Um comentário em “Calma Como a Própria Tempestade

  1. Escritor Adilson. Seu texto quase aplicou corretamente o vernáculo. Uma pequena falha, porém que salta aos olhos, foi inserida no corpo da escrita: sentasse. A palavra usada, apesar de derivada do verbo sentar indica o imperfeito do subjuntivo (uma condição: se ela). E não foi isso o que aconteceu, pois a personagem senta no colo, isto é praticou uma ação (sentou) estabelecida no presente do indicativo do verbo sentar. Portanto, escritor, se quiz dizer que ela sentou-se no colo, use o termo correto: SENTA-SE!

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