Arrependimento

 

 

 

 

(Bauru – SP)

– Mãe? É você mãe?

São essas as palavras ditas por Marlene após despertar de seu sonho, um sonho do qual ela não gostaria de acordar, pois a sua realidade se transformou em um verdadeiro pesadelo. Ela senta na cama e fica pensativa, um olhar sem esperança. Olha o relógio do celular, são 18:20, passou a tarde inteira dormindo, pelo menos assim ela esquece por um momento as suas dores, é uma forma de tentar fugir de seus erros. Marlene não consegue superar a morte de sua mãe, a saudade tem sido muito dolorida pra ela, se trancou em sua casa, não sai mais para lugar nenhum, tudo ao seu redor perdeu o sentido: – Me perdoe mãe, por favor me perdoe, estou arrependida por tudo, sou covarde, a minha vida inteira eu fui covarde, me desculpe por não ter sido a filha que você desejou, você não mereceu ter sofrido por minha causa, eu não te obedeci, não dei ouvidos ao que você me pediu. Mas agora está tudo acabado, como viver sem você? Como fingir que nada aconteceu? Não sei mais o que será de mim, me sinto tão perdida..

Marlene se assusta com algumas pessoas gritando por seu nome no portão de sua casa, ela enxuga as lágrimas e vai até a janela para ver quem é, se desespera ao ver os policiais lá fora, precisa rapidamente arrumar um jeito de escapar sem ser pega. Marlene decide que não vai se entregar, quer fugir dali o mais rápido possível. Nesse momento ela lembra de sua mãe, uma grande culpa lhe domina, sabe que está agindo errado, fica confusa em qual decisão tomar, tenta controlar a sua aflição, ela não tem muito tempo, o medo a domina por dentro. Mas o seu instinto fala mais alto, Marlene vai até o fundo de sua casa, pula o pequeno muro do quintal e corre o mais rápido que pode, não sabe o seu destino, apenas quer fugir e nunca mais voltar, mas ela sabe que por mais longe que tente ir, a culpa jamais a deixará em paz, nunca conseguirá se livrar de seu passado.

Em seu portão os policiais voltam a chamá-la, o carro está estacionado na garagem, eles sabem que ela está lá dentro. Nessa hora o vizinho de Marlene sai pra fora e curioso se aproxima dos policiais: – Acho que ela não está em casa, esse carro é da sua mãe, mas é um pouco estranho. – Estranho? – Sim, pois a mãe dela sempre vai pro trabalho de carro, é assim todos os dias. O que aconteceu com Marlene? – Ela está sendo procurada por um atropelamento ontem a tarde no centro da cidade. – Atropelamento? Quem foi a vitima? – Uma mulher chamada Rosângela. – Meu Deus, Rosângela? Tem certeza? – Você a conhece? – Sim, ela é a mãe de Marlene..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *