A Unção (Os Anjos Caem Primeiro)

 

 

 

 

(Itajai – SC)

– São só dez quilômetros meu amigo! Diz a figura diante do volante.

-Que bom! Respondeu de imediato o passageiro, não escondendo o mau humor, pois não gostava das cidades grandes. Achava-as barulhentas, ao contrário das cidades pequenas, que para ele eram as ideais de se viver. E o fato de estar ali era um calvário e um alívio ao mesmo tempo. A muito queria que aquilo acabasse logo, e mil coisas passavam pela cabeça a esta altura. Mas tinha decidido ir até o fim com a coisa toda. O fato de ser pastor de profissão e, acima de tudo por fé. E ter que lidar todos os dias com a ideia do pecado de si mesmo, e das outras pessoas, não alterava o fato em nada. E uma simples olhada do motorista de táxi pelo retrovisor, foi o bastante para acabar com a agonia iniciada quando ele saiu do hotel e, embarcou naquele veículo. Aquele olhar do chofer o denunciava.

– Posso fazer uma pergunta? O que o senhor veio fazer aqui na capital? Pergunta afinal o motorista, com seu sotaque inconfundível do norte.

– Vim procurar um pouco de diversão meu amigo, só um pouquinho e mais nada! E ambos deram risadas juntos durante um certo tempo. Daí parar em um motel numa parte suspeita da cidade era um pulo, e tudo estava indo como ele bem imaginava que seria. Tudo muito rápido e impessoal. E a garota com a descrição que ele pedira estava esperando por ele no quarto. Ao bater na porta da pocilga três vezes, como o instruíram e, a mesma se abrir. E, lá estava ela, como ele bem imaginava, cálida e toda sorridente como um anjo.

– Vim te buscar filha, vamos voltar para casa! Tua mãe te espera…

2 thoughts to “A Unção (Os Anjos Caem Primeiro)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *