A Morte de Adolfo Hitler

 

 

 

 

(Vieira de Leiria – PT)

A Europa continuava a ferro e fogo. Às ordens de Hitler, seis milhões e meio de judeus tinham sido assassinados. Outros dezanove milhões, militares e civis, tinham perdido a vida. Aquele homem representava o diabo na terra e graças a ele, o mundo estava num caos. Mas Hitler não estava ainda satisfeito. Enquanto existisse um judeu à face da terra, tudo faria para que essa raça de gente fosse aniquilada.

O relógio do tempo marcava o dia 30 de Abril de 1945. No interior do bunker, o filho de Alois Hitler e Klara Polzi, tinha completado 56 anos. 10 dias antes, e talvez que ainda não soubesse que a sua vida em breve ia terminar, continuava sedento de sangue como um vampiro dos livros de contos de criança. Sede de sangue cigano, homossexuais, eslavos e judeu em particular.

– Quantos judeus já exterminámos?-Perguntou para um dos seus acólitos, e, este correu a consultar os registos.

– Seis milhões e meio, meu Führer, vamos em seis milhões e meio, mas temos ainda muitos para enviar para os fornos crematórios.

– Pois não esqueçam que quero uma Europa limpa de judeus!

No dia do seu aniversário mandou chamar os seus generais, para saber dos avanços e recuos das tropas alemãs. O monstro sanguinário onde todos os diabos haviam encarnado, teimava em não acreditar que a guerra estava perdida, pois já pouco restava do seu temível exército.

As notícias que chegavam, não eram as que queria ouvir. O homem entrava em fúria descontrolada e pontapeava tudo o que estivesse à sua frente. Como podia um exército de gente superior ser vencido? E apelidava de traidores e incompetentes muitos dos seus generais. Porém, aquela pergunta «mataram mais judeus», não deixava de ser feita.

A guerra ia de mal a pior. As tropas russas marchavam sobre Berlim, varrendo tudo à sua passagem. Os bombardeamentos faziam tremer o bunker, e o ditador, pela primeira vez equacionou a sua morte. Não, não podia morrer sem antes o último judeu ter sido aniquilado, pois assim prometeu ao seu povo, num dos seus discursos.

No dia 29 de Abril, soube do assassinato do seu amigo Mussolini – um malandro igual a ele -, capturado pelas forças da oposição. Foi fuzilado na companhia da secretária e amante Claretta Petacci e pendurado numa praça de cabeça para baixo, para que o bom povo italiano pudesse cuspir na sua cara. Com o fim à vista, o ditador alemão temeu ter um fim igual. Não, não podia permitir que os russos que continuavam a avançar, lhe lançassem as “ganfarras”. Tinha a sua pistola sempre à mão e tinha ainda umas pastilhas de cianeto que podia utilizar, antes que os russos descessem ao bunker para o capturar como um coelho na toca.

Oxalá, tivesse já exterminado o último judeu.

Na última semana, mudou um pouco de atitude. Deixou de berrar com os seus generais e até a sua amante Eva Braun começou a olhá-lo com outros olhos. Era agora mais humano e os companheiros de bunker pensaram que o homem, finalmente, meditava nos milhões de mortes de que era causador. Tornou-se taciturno, caminhava até ao limite do bunker vezes sem conta e apenas na sua cadela Doly, encontrava algum conforto. Mas depressa tudo mudou e as suas ordens eram agora disparatadas e sem sentido.

Na madrugada do dia 29, mandou chamar um padre para que o casasse com a amante, companheira de longa data. Lá fora, continuavam os bombardeamentos. Os russos estavam agora muito próximo. No dia seguinte, tudo ia terminar.

– Eva – disse ele para a esposa -, para não caíres nas mãos do inimigo, engole esta pastilha!

A mulher obedeceu e momentos depois estava morta. Ordenou depois que lhe trouxessem um rabino, nem que tivessem que o ir buscar a um campo de concentração. O mensageiro saiu a correr e horas depois, voltou com o homem desejado para alívio do seu Führer. A tremer de medo, o rabino apresentou-se perante o exterminador da sua raça:

– Que quereis vós de mim, senhor?- Perguntou gaguejando nas palavras.

– Rabino, eu quero ser judeu! Quero converter-me ao judaísmo.

– Mas, meu Führer – gritaram os generais, levando as mãos à cabeça -, tem consciência do que acaba de dizer?

– Sim, meus fiéis servidores! Apenas vós, que sois dos poucos que não me abandonaram ou traíram, vão poder gritar ao mundo esta verdade: quero ser judeu. E tu, rabino, vais circuncisar-me e já!

Para desespero de quem ouvia, o rabino obedeceu. Terminada a operação, Hitler pediu que lhe trouxessem a estrela dos judeus que afixou no peitilho da camisa. Em seguida, tirou a pistola do bolso do uniforme e antes de meter uma bala na cabeça, diz com uma voz de trovão que se ouviu em todos os recantos do bunker:

– Cair nas mãos dos russos, jamais! Prefiro o suicídio! E assim, mato mais um judeu!

O relógio do tempo, marcava o dia 30 de Abril de 1945.

 

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