A Máscara do Tempo

assin-lira-vargas

 

 

 

idoso-bebendoTodos os sábados o casal de velhinhos, atravessava a rua e ia para o bar da esquina Ele de nome Silvio, tinha um semblante sério, mal humorado, ela, cansada pela idade, tinha feições meigas, as rugas profundas, pareciam marcar a história de sua vida.

Sentavam na mesma cadeira do bar, Silvio pedia cerveja, e conversavam banalidades, mas lá pelas tantas da tarde, ele começava a ofender a parceira de bar, que só bebia refrigerantes, talvez a maneira discreta de acompanhá-lo na bebida. Silvio a ofendia culpava-a de sua infelicidade, ela o olhava, num olhar vago e meigo, ele dizia de sua solidão, que marcava a história de sua vida, culpava-a de não ter filhos, e dizia que odiava seus olhos azuis, suas rugas e seu silêncio.

E quando as acusações ficavam sem fundamento, Silvio tirava a  blusa de seu time  e a vestia na parceira de mesa, ela passivamente permitia que a camisa cobrisse seu rosto, sem descê-la até o pescoço, e sem um só movimento, ficava naquela posição um tanto débil, a escuta das acusações do Silvio.

Ele pagava a  conta sob os olhares de reprovação, e num gesto meio cômico, carregava a companheira no colo, pois ela permanecia com a camisa sobre os olhos, carregava-a até a rua, parava perto da porta do sobrado, colocava-a no chão, abria a porta, voltava e a carregava até as escadas.

Foi num sábado de outono, o sol disputava com a brisa fresca que envolvia a cidade. O casal chegou ao bar. Todos sabiam que a cena se repetiria como todos os sábados. Alguém pilheriou que não permitiria que o Silvio cometesse a mesma covardia de todos os sábados. Ele chegou ainda alegre com companheira silenciosa, pediu cervejas e bolinhos de queijos, sentaram-se à mesa e o diálogo começou sem problemas, na rua o vento soprava, ela tentou se  defender da poeira e Silvio ajudou-a a limpar o braço enrugado, os dedos compridos sobre a mesa, o corpo frágil e um sorriso meigo, gesto que nunca alguém viu antes. Nesse instante alguém ligou rádio e a música de Chitãozinho e Xororó ecoou pelo bar “quando a gente ama qualquer  coisa serve pra lembrar, um vestido velho da mulher amada tem muito valor…” ela tentou cantarolar, batendo levemente os dedos sobre a mesa. Silvio empolgado com a música acompanhou os cantores, e com a cerveja no copo, fazem brinde no ar, a companheira levantou seu copo de guaraná, respondendo num gesto feliz o brinde, sabe-se lá por que.

Quando termina a música, Silvio sugere que repitam a fita, e paga para tal música permanecer, e a essas alturas a cerveja já começara seus efeitos e, cantando, dá uma parada e olha nos olhos da companheira de bar e faz as acusações de sua infelicidade, ela o olha, balbucia algo, mas Silvio não permite que ela fale, diz que odeia sua voz, seus olhos e seu silêncio.

Tira a blusa e cobre seu rosto, pede a conta e a carrega de maneira patética. As pessoas do bar fazem os mesmos comentários de recriminação, mas ninguém impede de Silvio carregar a companheira pela pequena rua, na pequena distância que separava o bar do sobrado. Ao atravessar, Silvio para e  olha para trás, e grita para que desliguem a música. Chega perto da porta do pequeno sobrado e deita a companheira no chão, o sol já desistira de lutar com o vento, folhas de jornais rolavam pela rua. Silvio abre a porta e se abaixa para carregar a  companheira, que não reage, Silvio a sacode e tira a camisa de seu rosto. Percebe nesse instante que a companheira de bar, não respondia aos seus chamados. Silvio dá um grito de pavor.

– Camélia, Camélia, eu te amo, não faça isso comigo, não me deixe!

 E sacode seu corpo inerte no chão, nesse momento ambos já cercados pôr pessoas curiosas para ver o acontecido. E no desespero da morte, Silvio sofre um enfarte fulminante caindo sobre o corpo de Camélia, que nesse instante, acorda do desmaio. Ajudada pelas pessoas, Camélia, de uma maneira carinhosa e sofrida, senta no chão, segura a metade do corpo de Silvio sobre seu colo, e num gesto maternal, permite as lágrimas rolarem em seu rosto marcado pelo tempo.

Alguém fala baixinho que já viu uma cena parecida com aquela, tentando lembrar o nome do filme. Outro lembrou : ROMEU E JULIETA. E ouviu-se um suspiro de lamento, quem sabe um choro da lembrança do filme ou da cena naquela calçada. E a voz soou postada no cenário de dor e perda.

– Meu filho, eu te amo, não me deixe.

E durante o outono, quando chegavam os sábados, na mesa do bar, ficou a lembrança do casal. E no inverno a chuva caia serena naquele final de semana, o bar estava com seus fregueses de sempre, as conversas confundiam o ambiente, quando de repente todos olharam para a mesa, lá estava uma velhinha de costas, agasalhada como o clima exigia. Fez um sinal para o garçom e pediu um guaraná, quando o garçom foi atendê-la, deu um sorriso assustado, era Camélia com a camisa do time sobre o rosto, no local dos olhos  estava molhado de lágrimas. E quase todo sábado, Camélia sentava naquela mesa do bar com a máscara do tempo. A camisa do time de seu filho solteirão.

5 comentários em “A Máscara do Tempo

  1. Escritora.
    Os sinais de pontuação são recursos da escrita que dão vida, riqueza, entonação ao texto apesar de não expressar com a abastança da forma oral quando bem exposta. Por isso eles procuram, embora não consiga reproduzir toda a riqueza melódica da linguagem oral, estruturar os textos e procuram como na fala dar sentido as pausas e as entonações, tendo a finalidade principal de separar expressões e orações de destaque, esclarecer a frase no sentido da exposição do texto e marcar as pausas na leitura.
    Diante disso, o seu trabalho é pobre na acepção da acentuação na escrita, pois são desprezadas as regras fundamentais da pontuação.

  2. Escritor Breno. Como divulgado no “plugin” (sobre) não fazemos qualquer tipo de alteração no texto publicado ficando de responsabilidade do autor também erros gramaticais, revelando, dessa forma, o seu grau de escolaridade.
    Agradecemos o desejo de longa vida ao site, mas afirmar que “os últimos três textos não chamaram a atenção de ninguém” foi uma assertiva infundada, impensada, pois dispomos de dados estatísticos do WordPress e especialmente do Google Analytics que contrariam sua afirmação.
    Quanto aos eruditos “que leem Machado, Osman, Graciliano, Tolstoi, Faulkner, Beckett, Dostoiévski, Lispector, Manoel de Barros etc. etc.,” não encontrarão terreno fértil neste sitio (por enquanto), mas precisamos tanto, tanto desses letrados!
    A análise dos contos, antes da publicação, segue critérios pré-definidos, contudo certo grau de tolerância é necessário para trilharmos o caminho das pedras ao encontro do objetivo e não podemos esquecer a lição de Guevera: Hai que endurecerse sin perder jamás la ternura!

  3. O texto contém alguns erros, mas, dentre todos, um parece inadmissível para quem se propõe à literatura: separar, com vírgula, sujeito de predicado.

    Penso que o site deve fazer uma análise mais criteriosa antes de publicar. Digo isso porque desejo longa vida ao site e, como podemos ver, os últimos três textos não chamaram a atenção de ninguém. Ademais, foi publicado dois textos da mesma autora em pequeno espaço de tempo e, sabemos, há textos de outros autores na espera. Enfim, como está, o site corre grande risco de perder autores e leitores. (Mais: a falta de análise criteriosa dos contos antes da publicação dificulta a divulgação do site. Tenho amigos que gostam de literatura, mas que leem Machado, Osman, Graciliano, Tolstoi, Faulkner, Beckett, Dostoiévski, Lispector, Manoel de Barros etc. etc., de sorte que fico impedido de indicar o portal a leitores mais exigentes. O site, se verificarmos o que já foi publicado, tem condições de manter o bom nível, aqui há bons textos. Basta agora definir qual o objetivo do portal.) Abraços.

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