A Jovem e Seus Sonhos

neneca

(João Pessoa  –  PB)

Era uma vez uma jovem que saiimagem-a-jovem-eu a caminhar por uma alameda de árvores frondosas, toda coberta de folhas, iluminada por um facho de luz e deslizando pela estrada em direção ao país dos sonhos.

A jovem tinha como companheiro seu fiel cachorrinho, que lhe servia de escudeiro, protegendo-a dos perigos do mundo. Não sabia ela que lá encontraria: fadas, gnomos, borboletas, pássaros, árvores e belas cachoeiras com águas cristalinas.

Tudo era mágico naquele lugar. As estrelas pareciam ter um brilho diferente. O luar banhava toda a natureza com a cor prateada que a lua emanava. O sol amanhecia saudando a todos com sua benéfica energia. E os pássaros em algazarra faziam um grande festim.

A menina ao chegar, ficou deslumbrada e perguntou:

– Que lugar é este?

E uma voz respondeu:

– É o país dos sonhos, que tanto procuras!

A voz era de uma fada que morava ali e queria proteger aquela jovem, ainda tão menina. Desta vez a fada perguntou:

– Que trazes contigo?

E a jovem respondeu:

-Trago os meus sonhos! Eles me acompanham e sigo meu caminho na esperança de realizá-los.

A fada continuou a interrogar aquela menina cheia de sonhos e fantasias. Tudo aquilo habitava o seu imaginário. Suas emoções eram tão reais que ela ficou bem à vontade diante da magia daquela voz. E a fada perguntou novamente:

– Que encantos têm este lugar, jovem menina, para te deixar deslumbrada?

Com sua meiguice, traduzida em sua linguagem, ela respondeu:

– Para mim, este lugar tem uma magia e encantos especiais. Enxergo o mundo com a sabedoria do maravilhoso, em que as flores se alegram com o balé das borboletas e dos beija-flores, que sugam seus néctares e polens e vão soltando, involuntariamente, proporcionando o reflorestamento do nosso planeta. Encanto-me ouvindo o chuá, chuá das cachoeiras, com suas águas cristalinas, ainda não poluídas pela mão do homem. Sinto o cantar do vento roçando meus cabelos, trazendo uma melodia que acredito ser sua voz, fada querida! Aqui posso respirar o oxigênio puro liberado pelas frondosas árvores. É tudo tão belo e aconchegante, que não desejo mais voltar para a minha realidade. Os meus sonhos e minhas fantasias tomam o lugar da minha razão.

Naquele momento a fada compreendeu a grandeza de alma daquela jovenzinha, ainda tão pequena, mas tão grande em sabedoria. Ela tinha uma nova visão de mundo. A fada, sentindo que poderia descobrir muito mais daquele serzinho, voltou ao diálogo e indagou:

– Minha pequena jovem, gostaria de saber o que pensas do amor?

E a jovem menina, na sua ânsia de buscadora, redarguiu:

– O amor, ah, esse é o mais sublime dos sentimentos. Procuro encontrá-lo dentro mim, para depois colocá-lo na minha cestinha e sair distribuindo por onde eu passar. O amor é doação, desapego de tudo que nos aprisiona, impedindo-nos de bater as nossas asas e voarmos por sobre os rochedos, no qual somos imantados pela luz do Astro Rei.

Deslumbrada com a desenvoltura da linguagem daquela jovem, a fada continuou inquirindo, pois queria mergulhar mais fundo no interior daquela jovenzinha. Desta vez gostaria de saber o que ela entendia por saudade.

– Minha jovem menina, o que pensas que venha ser a saudade?

E a jovem prontamente reagiu, com um leve sorriso nos lábios.

– Eu entendo que a saudade às vezes dói, mas passa, porque ela exprime o que eu sinto por quem fez feliz o meu caminhar. Vou te contar um segredo. Certa vez, alguém, muito especial, disse-me que a saudade era um presente do amor. E não é que é verdade! Pois só sentimos saudades de quem amamos, não é mesmo?

E a fada sabiamente respondeu, acariciando os longos cabelos daquela bela jovem:

– Menina querida, tu tens razão! Somente o amor une as pessoas para que elas possam continuar suas jornadas. Seja perseverante, segue adiante e não temas. Confia na bondade do Pai e tu mesmo descobrirás que és capaz de realizar os teus sonhos.

E assim a jovem menina continuou sua jornada, acreditando que poderia ir mais além e realizar os sonhos desejados.

4 thoughts to “A Jovem e Seus Sonhos”

  1. Despertar o interesse na leitura é o objetivo principal do contista. O conto não é apenas relatar um acontecimento imaginário, falso. Um conto inventa-se (Raúl Castagnino) e você inventou um belo conto. Parabéns, escritora Neneca, dentre os inúmeros textos seus, este é um dos melhores!

    1. Obrigada Flavio Dias Semim! Fico lisonjeada com seu incentivador comentário. Gosto muito de escrever, mas confesso que nunca tinha pensado em construir contos. Espero que eu prossiga com esse gênero da literatura.
      Um abraço!

    1. Obrigada Edileuza, pela apreciação do meu conto. Cada construção é algo mediador entre a força e o mistério, que a imaginação proporciona através das imagens que vamos produzindo, criando um elo com o leitor, constituído de um caráter intersubjetivo.
      Um abraço!

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