A Igrejinha


 

 

(São Lourenço – MG)   

A igreja ficava no alto do morro, de longe podia vê-la, permanecia imponente apesar de sua visível simplicidade, o povo do lugarejo sentia protegido (pelo menos grande parte) quando olhavam para o alto e a avistavam, mas só durante o dia, é que poderiam contemplá-la, durante a noite ela permanecia escondida, naquele tempo a luz elétrica era precária, aquele lugarejo as poucas lâmpadas elétricas não permitia visualizar quase nada no insistente negrume da noite.

Esta simplíssima capela estava sob responsabilidade de padre Martinho, nele também quase totalidade da população tinha a confiança, o carinho e o grande respeito, viam nele algo de muito sobrenatural, alguma coisa do outro mundo estava entranhada neste carismático ser.

Houve um tempo que alguns habitantes do lugarejo tentaram incendiar a capelinha, estavam dispostos a queimá-la com o padre Martinho e tudo, até que tentaram as primeiras labaredas começaram, Padre Martinho permanecia ajoelhado no altar, recusava sair, alguns minutos somente, logo veio um violento temporal, desses que desde muitos anos o povo não via.

Os arruaceiros ateus fugiram apavorados, era um sinal dos céus!

Noutra ocasião o fazendeiro mais temido da região, dizia não acreditar no céu, nem no inferno, só acreditava na força de suas posses, terras pra não se perder de vista. De posse de documentos certeiros declarava que a igrejinha estava em suas terras, seus antepassados não tinham abdicado do local em que estava a igrejinha, esta capela estava atrapalhando seus planos precisava ser derrubada, poucos dias para concluir seu intento, o fazendeiro morre misteriosamente, seu filho único herdeiro, resolve deixar a capelinha em paz.

E a paz reinou muito tempo naquele lugarejo pobre, diziam os mais religiosos que pareciam que iam entrar no céu quando chegava os domingos iam assistir a santa missa e ouviam o Padre Martinho fazer o sermão, o santo homem possuía o dom de colocar a carapuça em cada um dos ouvintes, principalmente aqueles que praticavam algumas vezes a maldade.

Os tempos modernos apareceram, inevitavelmente veio o falecimento de Padre Martinho, o vilarejo formou-se uma cidade, vieram novos padres, novas igrejas de várias espécies levantadas, a igrejinha no alto do morro foi abandonada, até que não resistiu o tempo e desaba.

O povo ainda sente alguma coisa misteriosa no ar, um pressentimento ruim, principalmente naqueles que lembram ou tiveram conhecimento da incrível igrejinha!

SEMPRE HAVERÁ HISTÓRIAS MISTERIOSAS DESAFIANDO MESMO OS TEMPOS MODERNÍSSIMOS DE AGORA!…

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