A Confissão…

 

 

 

(São Paulo/SP)

 

Caminhava assim: com a leveza de quem abandonou tudo. Em busca de um caminho para recomeçar, antes, confessa:

“Se vastos foram os atalhos por onde me perdi, os julguei atraentes”.

Se velejei por tempestades, em noites escuras de trovoadas, buscava um farol para iluminar-me o caminho.

Acolhi um rio de solidão como meu? Que alternativa se do meu sofrer ninguém quis saber, pois que tristeza contagia feito praga?

Ou porque busquei proteção a quem não me podia dar vez que sofria da mesma melancolia que eu.

Vivendo um tempo real sublimei a dor. Fugir seria vida que não segue”.

No trajeto de volta, lágrimas e prantos diluindo a acidez das melancolias, fez solidão se liquefazer pelas veredas.

Sangue e suores alimentar a terra ressequida até sedenta ternura aniquilar dores.

Sem opção, dramatismo da vida virou a esquina. Achou a tal da bem-aventurança.

História da vida pode, então, repaginar sua história.

A soltar por aí gargalhadas ia sussurrando seus escritos em parágrafos oxigenados pela emoção.

Se de alegria, floria-os. Se de tristeza, enlutava-os.

Que fosse um nada nesse mundo. Era sim, importante para o Criador.

Sem o seu romance com a vida, seus risos, vezes, mascarando lágrimas, extravasando travessuras, outras tantas adoçando agruras passageiras, o mundo perderia.

O palco da vida estaria mais pobre de emoções, de poesia.

Que digam: “Como mente”.

Que zombem: “Como delira”.

Abandonando a proteção do camarim, na sala quase vazia – outrora sorrisos, agora saudades – ri alto.

Das entranhas arranca o ato derradeiro:

“Enquanto um respiro houver e eu puder e até nada mais me restar, a não ser esse corpo, que jamais se fechem as cortinas da emoção”.

O pano cai. Os aplausos soam. A luz não se apaga.

 

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