A Andorinha

 Irá Rodrigues

(Santo Estevão – BA)

Pendurada em galandorinha3hos escritos em folhas com tintas extraídas do arco-íris que cedia baldinhos das mais lindas e florescentes cores: o amarelo derramava pingos de sol, o verde se camuflava com as folhas, o azul como pedacinhos de céu e gotinhas de chuva o branco da cor das nuvens em dia de verão.

Os passarinhos numa euforia total molhavam os bicos e escreviam seus versos encantando a natureza que lia e se declarava apaixonada pelos passarinhos poéticos.

Em meio aquela preparação animada chega um aviso trazido pelo gavião que chegava apressado com o bico aberto de tão cansado. Era uma ordem do chefe da floresta e ai de quem o desobedecesse. O aviso dizia assim:

“Ninguém deverá sair pela floresta, pois corre um boato de galho em galho de que uma ave de rapina muito misteriosa que voava pelas sombras atacando passarinhos indefesos e outros animaizinhos pequenos.”

A andorinha atrevida e inconformada resmunga:

– Que coisa mais chata. Agora eu que nasci livre tenho que ficar presa e nem da festa de poesia podemos participar nas outras árvores. Isso não é certo.

– Se acalme- disse o sabiá. Isso passa logo um caçador vai encontrar e dar um bom sumiço nessa pavorosa criatura, se é tão grande com certeza vai atrair os ambiciosos por uma boa caça e um bom jantar.

– Eu que não vou ficar presa e quem se atreve a me seguir vamos! – gritou a andorinha batendo asas pela floresta.

Logo estava de volta tão grande era o mistério que tomava conta da floresta, nenhum outro passarinho se atrevia a sair dos seus refúgios. No dia seguinte as árvores estavam lindas todas enfeitadas com as mais belas poesias, era agora à floresta dos versos.

Mas como visitar outras festas se todos nós estamos proibidos de arredar os pezinhos e bater as nossas asinhas. – disse a andorinha chateada.

O gavião que a tudo observava convocou seu grupo e juntos tomaram uma posição.- Vocês podem passear, mas não voem muito longe nem se afastem do grupo  estaremos do alto observando e qualquer suspeita nosso bando entra em ação. Essa coisa misteriosa vai se arrepender se chegar a atacar um só passarinho da nossa floresta encantada.

– Há, há há! Agora viramos prisioneiros da própria floresta, nasci livre e livre quero continuar indo e voltando de onde eu desejar.

– Não é bem assim “Senhorita andorinha” isso tudo que está acontecendo pode ser perigoso precisa ter calma e obedecer as ordens.

– Venham! Não vamos perder tempo, precisamos visitar as outras festas são muitas poesias para ler e ainda quero brincar antes de voltar. Disse a andorinha.

Enquanto voavam de árvore em árvore lá no alto estavam os temidos gaviões de olhos bem abertos observando cada balançar de folhas, cada sombra que sombra que passasse. A andorinha como sempre se achando a mais esperta se afastou do grupo desobedecendo às ordens do gavião rei…

Sentindo-se livre a andorinha seguia maravilhada em cada árvore parava se embebia dos mais lindos versos e seguia leve com as penas esvoaçando, sem se dar conta do quanto já havia se afastado do grupo resolveu voltar pelo lado oposto onde corria o rio, ali poucas árvores participavam do concurso de poesias. De repente sentiu um arrepio nas peninhas da cabeça era sinal de que algo estaria para acontecer. Uma sombra enorme como se fosse um guarda sol cobriu a árvore em que ela pousou para descansar, os galhos estremeceram, outros passarinhos voaram tão velozes pareciam soprados pela correnteza do vento, o medo era tanto que a andorinha nem conseguia levantar as peninhas das asas suas perninhas tremiam tanto que se encolheu entre algumas folhas e ali ficou sem coragem até de respirar.

As horas pareciam encompridar o medo aumentava o silencio a incomodava nem uma folhinha se balançava até a brisa parou de soprar. Quando um movimento brusco sobre os galhos deixou a andorinha em pânico. Nem se lembra de quanto tempo se passou até que se sentiu mais segura, colocou a cabeça para fora das asas onde estava enfiada e sentiu o vento assobiando forte. Bem acima de onde estava encolhidinha lá estava a ave impiedosa era negra com olhos de águia capaz de enxergar até uma formiguinha que se mexesse a palmos de distância.

A andorinha começou a implorar por todos os poderes da floresta quando sem perceber estava sendo soprada pelo vento, nem precisava abri suas asas, só sentia que flutuava acima da copa das árvores, não sabe quanto tempo se passou só se deu conta quando foi lançada na vegetação rasteira e bem longe do perigo. Como se despertasse de um sonho ela se sacudiu molhou o bico numa gota de orvalho que caia de uma folha esticou-se ensaiou alguns passos para ter certeza que estava pronta para voar, olhou em volta estava perto de casa já podia sentir o cheiro de família e amigos. Era só voar alguns belos pedaços da floresta e estaria em segurança. A andorinha se enganou, bateu asas deu voltas e voltas e parava no mesmo lugar. Estava perdida, cantou seu canto mais triste e solitário na esperança que ouvissem e corressem para ajuda-la. O silencio era enorme nenhum outro passarinho aparecia. Será que todos foram devorados pela misteriosa ave- Pensou…

Arrependida pela sua desobediência começou a desfiar seus pedidos e promessas. – Senhor da floresta eu sei que errei e não deveria ter desobedecido afastando assim do grupo, agora estou sozinha em perigo. Desculpe essa pobre e indefesa andorinha meio sem juízo. Leve- me até a minha casinha onde estão meus amigos e a minha família. Eu prometo nunca mais ser desobediente.

Estava para voar até o topo da árvore assim do alto poderia ver em que direção deveria seguir, quando outro barulho ensurdecedor e novamente a misteriosa sombra. Encolhida entre folhas e galhos ela viu quando a monstra passou arrancando folhar em busca de suas presas indefesas.

-Ufa!  Essa eu escapei por pouco ou estaria no papo dessa malvada sem piedade de uma pobre andorinha. Pensou a andorinha aliviada.

O grito do gavião fez com que ela se animasse com certeza estava ali pertinho e iria lhe ajudar.

– Quem está ai?- perguntou a andorinha ao ver o gavião pousado acima da sua cabecinha confusa.

– Sou eu sua pequena desobediente, todos acham que de você só a alma vagando pela floresta, acreditam que foi parar no papo da ave misteriosa. E ai está você toda amedrontada com suas penas arrepiadas. Não deveria ter se aventurado tão longe- Completou o gavião desfiando seu relatório. Por sorte estava passando quando ouvi algo se mexer entre as folhas.

A andorinha começou a soluçar correu até o gavião implorando para que a  levasse para casa.

– Calma! Agora não precisa pânico o perigo já passou, a tal misteriosa ave foi abatida por meu bando. Somos ou não somos os mais temidos da nossa floresta? Gabou-se o gavião estufando o peito e arregalando os olhos cor de mel que tanto amedrontava os pequenos passarinhos. Ela agora repousa em nossos papos. Completou passando a ponta das asas no peito e soltando um arroto em seguida.

– Então vamos. Snif! Vamos rápido a festa  deve está animada e ainda preciso declamar meus versos. Disse a andorinha.

Suba em minhas asas assim chegaremos mais rápido, todos estão tristes com oi seu sumiço e a festa vai até amanhã.

Olhem! Olhem! Gritavam todos os passarinhos saltitantes de alegria, é a nossa amiga andorinha chegando com o gavião.

A festa continuava todos felizes em saber que a andorinha estava de volta. Bem ela precisa nos dá uma boa explicação, disse o chefe da floresta, mas isso fica para depois da festa a poesia não pode esperar.

Vamos convoquem todos os artistas à orquestra pode começar. O macaco sentou-se no piano e começou a desafinar, o gavião preferiu o violão e logo afinou as cordas tirando os primeiros acordes, o galo das campinas no saxofone soprava, soprava a voz saia rouca, estava emocionado dizia ele. Sentindo-se envergonhado jamais convencido, colocou no saco a sua derrota, saiu cabisbaixo ao encontro das galinhas que ciscavam no terreiro, ali sim ele era o rei- cantaria no galinheiro e seria aplaudido pelas suas galinhas. Depois de tantos desatinos o sabiá assumiu a orquestra pode enfim começar a festa.

Que fique o falatório da floresta, amanhã bem antes de o sol nascer acordo todos com o meu canto- disse o galo abrindo as asas e batendo as esporas no chão levantando poeira.

3 thoughts to “A Andorinha”

  1. Prezada autora.
    O seu conto direcionado naturalmente para crianças, tem uma responsabilidade maior: a gramática da lingua portuguesa. Assim sendo, deveria você primar mais pela escrita correta, revisando seu texto mais vezes, antes de publicá-lo.
    Exemplos de correções que poderiam melhorar a dissertação: falta de crase (aquela), cada “sombra que “sombra”, Se acalme (acalme-se no início do paragráfo) MONSTRA (palavra inexistente no idioma português), e ínúmeras outras que não convém mostrar.
    Capriche que os pequenos ( e os adultos) vão agradecer.

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