Mágoas na Carne e na Alma

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

 

Formado por modestas instalações o pequeno e simplório salão de barbeiro localizado no ponto final da linha de bondes elétricos em um bairro pobre da cidade grande estava resumido a duas cadeiras profissionais da marca “Irmãos Campanile”, aparadores onde se sobrepunham os utensílios de trabalho, espelhos fixados à frente e alguns assentos de esperar como itens principais. A parede maior, em outros tempos recebera uma demão de cal, agora riscada pelo roçar dos encostos dos bancos de espera mostrava alguns quadros de madeira que emolduravam fotografias em preto e branco. (mais…)

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O Velho Rei

 

 

 

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro – 1865 – 1918)

Houve, em tempos que já vão longe, um rei poderoso, senhor de muitos povos e de muitas léguas de terra. Ainda que viajasse sem cessar por muitos anos a fio, não conseguia ele correr todos os seus domínios. E todos os povos o temiam, porque era conhecida de todo o mundo a fama das suas riquezas. De mês a mês, chegavam a seu palácio os emissários dos súditos, trazendo-lhe, com as homenagens deles, os presentes riquíssimos: marfim e pérolas, ouro e diamantes, sedas e rebanhos. E os seus celeiros estavam tão abundantemente  providos de grãos, que ele poderia, numa época de fome geral, abri-los a todos os seus vassalos, que não tinham conta, alimentando-os fartamente durante todo um ano. (mais…)

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Máquina Quente

 

 

 

 

(Maringá-PR)

Vários amigos me rejeitaram depois que assumi meu relacionamento. Jenny – seu apelido carinhoso era Jenny – já era conhecida da turma, e todos admiravam sua beleza e a formosura de suas curvas. Levei-a comigo para o jogo de futebol e quando anunciei minha intenção de noivado todos ficaram chocados. A princípio riram, incrédulos.

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Aventura da Memória

 

 

 

 

 

Voltaire –  (França 1694 – 1778)

O gênero humano pensante, isto é, a centésima-milésima parte do gênero humano, quando muito, acreditara por muito tempo, ou pelo menos por muitas vezes o repetira, que nós não tínhamos ideias senão por intermédio dos sentidos, e que a memória era o único instrumento com o qual podíamos reunir duas ideias e duas palavras. Eis por que Júpiter, símbolo da natureza, se enamorou, à primeira vista, de Mnemósine, deusa da memória; e desse casamento nasceram as nove Musas, que inventaram todas as artes.

Este dogma, no qual se fundam todos os nossos conhecimentos, foi universalmente aceito, e até mesmo a Nonsobre o adotou, embora se tratasse de uma verdade. Algum tempo depois surgiu um argumentador, metade geômetra, metade lunático, o qual se pôs a argumentar contra os cinco sentidos e contra a memória. E disse ao reduzido grupo do gênero humano pensante: (mais…)

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