A Crise

          Itabi – SE) O assento da cadeira torna-se extremamente desconfortável. Minha mente lança várias ideias num só instante, não sou capaz de raciocinar com clareza e lucidez, não compreendo o que a voz das pessoas que falam comigo diz, escuto-as, porém, não as entendo de forma plena. As mãos começam a suar e o desespero possui-me: ela voltou. Mais uma crise.

Leia Mais

A Unção (Os Anjos Caem Primeiro)

        (Itajai – SC) – São só dez quilômetros meu amigo! Diz a figura diante do volante. -Que bom! Respondeu de imediato o passageiro, não escondendo o mau humor, pois não gostava das cidades grandes. Achava-as barulhentas, ao contrário das cidades pequenas, que para ele eram as ideais de se viver. E o fato de estar ali era um calvário e um alívio ao mesmo tempo.

Leia Mais

Nunca Há Um Doido Sozinho

        (Vieira de Leiria – PT) Em casa do Benjamim Salvador tudo estava pintado de vermelho. A começar pelos pavimentos que eram avermelhados, o rodapé duma cor igual, as paredes não fugiam a essa cor e só os tectos eram brancos, pois é essa a cor do club do seu coração. Até a “Pantufa e o Tareco”, dois bichanos de estimação, traziam um lacinho vermelho atado à volta do pescoço.

Leia Mais

O Gafanhoto

        (Santo Estevão – BA) Acordou e saiu para dar uma volta, quando misteriosamente surge um bicho enorme de olhos esbugalhados. Um sapo! Gritou o gafanhoto chamando a atenção de todos os insetos que moravam ali perto. Há! Um sapo… gritava escandalosamente a cigarra sentada na árvore tocando o seu violão. A mim não mete medo, sapo não sobe tão alto. Vocês que se cuidem ou viram café desse feioso.

Leia Mais

O Grande Prêmio

        (Presidente Prudente – SP) Chegando ao escritório pela manhã, pronto para iniciar mais um dia de trabalho, o recado transmitido pela secretária foi breve: o Jorge Japonês estava preso! Fazendo meia-volta, rodopiando no calcanhar e rompendo a marcha com o pé regulamentar, na forma como aprendi quando no quartel cumprindo o serviço militar obrigatório, dirigi-me ao 1º Distrito Policial, na Rua Roberto Simonsen.

Leia Mais

Gritos de Pavor…

      (São Paulo – SP)   Riachos de chuva desciam pelas ruas antigas da cidade velha. Não tinha guarda-chuva e seu agasalho não tinha capuz. Correu pelas ruas estreitas e silenciosas. As roupas e sapatos irremediavelmente encharcados. Em busca de abrigo enfiou-se por um portão meio aberto, enferrujado. Era um casarão em ruínas, escuro e desolado.

Leia Mais

Nunca

        Maringá – PR) Resolveu ter seu primeiro namoradinho na hora do recreio, quando a chamaram para brincar de pique. — Só brinco com vocês se ele aceitar ser meu namorado! – ela intimou seu candidato, e ele aceitou. Ele tinha o cabelo todo encaracolado como um carneirinho e ela queria ser a única a lhe fazer carinho. Gostava de sentir a ponta dos dedos afundando entre os cachos ondulados. — Seu cabelo é tão fofinho! – ela dizia enquanto lhe fazia cafuné.

Leia Mais