O Medo

  Henri René Albert Guy de Maupassant – (França 1850-1893) Depois de jantarmos, retornamos ao convés do navio. Diante de nós, a superfície lisa do Mediterrâneo refletia uma lua tranqüila. O enorme navio sulcava as águas sob um céu semeado de estrelas, e a esteira branca que deixava para trás brincava em espumas, parecendo retorcer-se em claridades tão buliçosas, que se poderia dizer que a luz da lua estava fervendo. Seis ou sete homens permanecíamos ali, em silenciosa admiração, enquanto viajávamos para a África distante. O capitão retomou a conversa que havíamos tido durante o jantar: — Sim, naquele dia eu tive medo. Meu navio permaneceu seis horas açoitado pelas ondas, com um penhasco encravado no ventre. Por sorte, à noite passou um navio mercante inglês, que nos viu e nos recolheu. Então um dos presentes resolveu contestar a expressão usada pelo capitão. Era um homem alto, de cara bronzeada pelo sol, com aspecto grave; […]

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A Vinda de Onwgan

        (Maringá-PR) Primeiro, ele chegou através de sinais. A princípio, todos os satélites que orbitavam a Terra pararam de funcionar. Como consequência, os meios de comunicação móveis e as redes digitais entraram em colapso. Na televisão e no rádio, noticiava-se que a Terra parecia ter sofrido o efeito temporário de uma onda magnética vinda do Sol e ainda não identificada.

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O Pequeno Pietro

        (Salvador – BA) Thomas Mark era de meia idade, talvez quarenta e três anos. Aparência fina e as palavras sempre educadas. O seu trabalho no escritório da L&M Building no centro comercial, na Avenida Castro Alves, sala 801, era o resultado de anos dedicados ao trabalho de campo. Engenheiro experiente e com boa convivência, era bom amigo e desejado nas rodas de conversas.

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Mate-me, Querido

         (Salvador – BA) – O problema deve ser bem esse. Dei um pulo de susto. Estava tão distraído com um livro de poemas do Bukowski. Eu não estava sozinho, mas estava sozinho apenas no banco… o resto da praça estava a maior festa… uma bandinha tocava músicas de carnaval. Muitos casais se agarrando, bêbados e felizes… grupinhos de hipsters dançavam como índios invocando a chuva.

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Mea-Culpa

        (Presidente Prudente/SP) Os cabelos grisalhos, o corpo constantemente cansado e a pele marcada pelo tempo são algumas mostras atuais de sua figura, inseparáveis em todos os momentos e se revelam intensamente, especialmente quando asfixiada pela insônia. Desceu a escada íngreme daquela velha casa com cuidado atinente aos idosos e a passos lentos dirigiu-se à varanda de sua modesta morada onde esperou por um pouco de conforto do momento.

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Chuvas No Jardim Botânico

                       (São Paulo / SP) Gabriel, um jornalista em fim de carreira também olha a chuva. Não sabe porque tomara o ônibus antes da chuva… talvez porque saíra perturbado da diligência em São Paulo naquela semana. E não sabe também porque estava naquela sala de audiência quando chegou preso, o chefe de uma torcida do time do Palmeiras acusado da morte de um corintiano.

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