O Grande Prêmio

        (Presidente Prudente – SP) Chegando ao escritório pela manhã, pronto para iniciar mais um dia de trabalho, o recado transmitido pela secretária foi breve: o Jorge Japonês estava preso! Fazendo meia-volta, rodopiando no calcanhar e rompendo a marcha com o pé regulamentar, na forma como aprendi quando no quartel cumprindo o serviço militar obrigatório, dirigi-me ao 1º Distrito Policial, na Rua Roberto Simonsen.

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Gritos de Pavor…

      (São Paulo – SP)   Riachos de chuva desciam pelas ruas antigas da cidade velha. Não tinha guarda-chuva e seu agasalho não tinha capuz. Correu pelas ruas estreitas e silenciosas. As roupas e sapatos irremediavelmente encharcados. Em busca de abrigo enfiou-se por um portão meio aberto, enferrujado. Era um casarão em ruínas, escuro e desolado.

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Nunca

        Maringá – PR) Resolveu ter seu primeiro namoradinho na hora do recreio, quando a chamaram para brincar de pique. — Só brinco com vocês se ele aceitar ser meu namorado! – ela intimou seu candidato, e ele aceitou. Ele tinha o cabelo todo encaracolado como um carneirinho e ela queria ser a única a lhe fazer carinho. Gostava de sentir a ponta dos dedos afundando entre os cachos ondulados. — Seu cabelo é tão fofinho! – ela dizia enquanto lhe fazia cafuné.

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Sampa e Suas Garoas

        (Salvador – BA) João e Pedro se encontraram mais uma vez em Sampa. E sob os seus olhares a rua se alongava para cima e para baixo, e de um lado e do outro as pessoas subiam e desciam. Andavam em grupos e tagarelavam juntas. Vez por outra, casais desfilavam suas paixões. Eram todos falantes, gesticulavam e produziam uma coreografia urbana, noturna e de rua. Aqui e ali se agrupavam, faziam arrumações de tribos. Havia uma necessidade coletiva daquilo, expressada por cada olhar e pela fumaça que suavemente escapava entre os lábios buscando uma liberdade. Mais acima, quase no final do olhar de ambos, cruzava a Paulista. A Augusta cedia à sua imponente passagem. Era necessária e natural aquela interseção. E o obelisco monetário na esquina aceitava o desfile da poesia. E ao longo daquela imagem tão metropolitana um rock singer avulso, por um instante, paralisava os transeuntes. A voz rouca […]

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Páginas Antigas

        (Presidente Prudente – SP) O sol já se escondia no horizonte, a noite chegava e o frio vindo do mar, cada vez mais intenso, forçava as pessoas a se abrigarem. A temperatura constantemente baixa, no sul do imenso Brasil, não deixava outras opções aos habitantes humildes além de se protegerem com muitos agasalhos. – Toni, meu filho. Vamos, entre, já está ficando noite! – Estou indo, mamãe! O chamado se repetira mais vezes até quando atendeu, versejando enquanto caminhava: “Fazia frio, era roxo o arrebol… Choravam de saudade, ao ver partir o Sol”.

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O Medo

  Henri René Albert Guy de Maupassant – (França 1850-1893) Depois de jantarmos, retornamos ao convés do navio. Diante de nós, a superfície lisa do Mediterrâneo refletia uma lua tranqüila. O enorme navio sulcava as águas sob um céu semeado de estrelas, e a esteira branca que deixava para trás brincava em espumas, parecendo retorcer-se em claridades tão buliçosas, que se poderia dizer que a luz da lua estava fervendo. Seis ou sete homens permanecíamos ali, em silenciosa admiração, enquanto viajávamos para a África distante. O capitão retomou a conversa que havíamos tido durante o jantar: — Sim, naquele dia eu tive medo. Meu navio permaneceu seis horas açoitado pelas ondas, com um penhasco encravado no ventre. Por sorte, à noite passou um navio mercante inglês, que nos viu e nos recolheu. Então um dos presentes resolveu contestar a expressão usada pelo capitão. Era um homem alto, de cara bronzeada pelo sol, com aspecto grave; […]

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