Bruxas Não Existem

 

 

 

 

 

 

Moacyr Jaime Scliar (Porto Alegre, RS, ⇑1937 / ⇓2011)

Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de “bruxa”. (mais…)

Leia Mais

O Viajante

 

 

 (São Paulo – SP)

Após o almoço, a mãe de Carlos gostava de fumar cigarros sem filtro e ler fotonovelas na cama, encostada em três travesseiros.

Carlos bem reparava o comportamento. Ela fumava um maço durante a leitura. Sempre lia a Revista “Grande Hotel”. A mãe lia e repetia histórias antigas e, quando parava, contava moedas para mais cigarros. (mais…)

Leia Mais

O Último Recurso

 

(Itabi – SE)

Deixou-me, é o que se lê nos meus olhos e o que se escuta dentro da minha cabeça com a forma de gritos ocos e doloridos. Fui deixada pela voz doce e pouco aguda do homem que pensava me amar, fui largada ao degradar lento e constante da vida rejeita pelos braços que abstiveram-se da força necessária para me segurar, jogada estou num chão de aparência tão obscura quanto a cor da minha alma. Estou te deixando, ele me disse. (mais…)

Leia Mais

O Peixinho Feliz

 

 

 

 

(Santo Estevão – BA)

Era uma, vez na sala da biblioteca da escolinha infantil, vivia no aquário um peixinho que recebeu o nome de Feliz, mas era meio lerdinho…

As crianças deram esse nome porque o peixinho transmitia alegria e felicidade. Toda vez que uma criança se aproximava ele saltitava demonstrando toda a sua felicidade. Era bem pequeno com suas barbatanas enormes coloridas que brilhava no fundo do aquário. (mais…)

Leia Mais

No Badalar dos Sinos

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

Olhando para a taça quase vazia pediu ao barman outro drinque.

Voltado para o interior do bar, sentado sobre uma cadeira alta, corpo inclinado à beira do balcão não desviava o olhar para lado algum a não ser para a vistosa bebida. Aguardava imóvel o preparo de mais um coquetel pedido enquanto o barista exibia habilidade e destreza com a taça, provando a sua perícia com chacoalhadas para o alto e para o baixo, movimentando o liquido colorido, espumante, tentador, contido no copo de cristal. (mais…)

Leia Mais

O Homem Que Tinha Uma Saúde De Ferro

 

 

 

 

(Vieira de Leiria – PT)

O Sr. Maurício Pintadinho gozou sempre de boa saúde. O homem tinha saúde para dar e vender – assim diziam os vizinhos e amigos com quem convivia mais de perto. Passava os Invernos de mangas arregaçadas, indiferente às baixas temperaturas que obrigavam a vizinhança a consumir mezinhas e chá de limão, cascas de romã, hortelã e erva-cidreira. (mais…)

Leia Mais

Velho São Francisco

 

 

 

 

(Salvador – BA)

Naquele domingo tudo ocorria como de costume. No Sertão tão árido de terras secas e vegetação rara, aquele rio era como um milagre. Os moradores ribeirinhos já estavam acostumados com os visitantes nos dias ensolarados dos finais de semana. Pais sertanejos traziam seus filhos e suas famílias para o banho sagrado. Aquela peregrinação era algo sagrado, pelo menos uma vez no ano ou na vida tinha que acontecer. (mais…)

Leia Mais

Reparação

 

 

 

 

(São Paulo – SP)

Sempre torcia o nariz quando ouvia que “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.” Não que algum dia Oscar Wilde me tivesse aborrecido… É que, na verdade, nunca achei um exemplo que se amoldasse às suas palavras e me satisfizesse.

Mas os anos sucedem-se, e, coisa fantástica! não é que me vejo como uma luva, assentando-me àquela afirmação? (mais…)

Leia Mais