No Tempo Em que Os Animais Falavam

 

 

 

 

(Vieira de Leiria – PT)

No tempo em que os animais falavam, era um tempo avançado no tempo, quando o tempo era diferente do tempo que temos hoje. Só por isso, era o tempo em que os animais falavam.

Ao contrário da sua amiga, a pulga Beatriz que passava o dia por detrás do balcão dum café servindo pulgas e outros seres que ali vinham, a pulga Belmira gostava de passear, apanhar o sol da praia, bem esticada ao lado de outras pulgas que por lá apareciam e também por isso se sentia feliz. (mais…)

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Foi Um Prazer Te Conhecer

 

 

 

 

(Presidente Prudente – SP)

 

A gaveta lotada de inutilidades precisava urgentemente ser arrumada. Estava ali há anos servindo de depósito de objetos armazenados por gerações. Quem pode explicar a razão de ser guardada uma tampinha de garrafa? E fios de linha, pregos enferrujados, rolhas, bisnaga contendo pílulas, um pé, somente um de chinelo usado? Mas a conta só veio quando não pode mais ser fechada, atulhada de elementos desnecessários. (mais…)

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O Monstro Faminto

 

 

 

 

(Ubatã – BA)

 Naquele tempo, ouvia-se muito falar sobre um monstro que perambulava nos arredores do vilarejo. Os aldeões, todas as noites, faziam uma fogueira na parte central da vila, como uma promessa aos deuses, em troca de proteção. Porém, seja pela consciência dos sábios, seja pela natureza de toda imaginação sobrenatural, todos tinham em mente que, a misericórdia dos deuses é pouca e, por isso, um dia aquele monstro iria invadir tudo e destruir a todos, indubitavelmente. (mais…)

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A Hora

 

 

 

 

(Rio de Janeiro – RJ)

Ao abrir   a porta da casa vazia, acusa o golpe do triste silêncio, que estabelece   aquele   traço   do   antes   feliz e da felicidade; que rápido desmorona dentro do momento. Corre  em ato contínuo, para o relógio antigo da sala pregado na parede . Sobe numa cadeira: dá corda, mexe nos ponteiros pra trás, tenta fazer como se o tempo fosse voltar. (mais…)

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Sábado à Tarde. Ou Outro Dia Qualquer

 

 

 

 

 (Braga – Minho – PT)

Perguntas-me se caso contigo. Deitas a pergunta cá para fora com a mesma indiferença com que indagarias se quero comer um gelado, ou ir ao cinema.

Apanhada de surpresa, olho-te sem nada ver – o vazio dentro e fora do meu olhar.

Sim, talvez aceite um gelado, é bom, fresco e doce. Cinema não, não me apetece ficar tanto tempo fechada no escuro olhando uma tela e sentindo o ar refrigerado, sempre um pouco mais frio do que o desejável. (mais…)

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Tarde

 

 

 

 

(Maringá-PR)

Um desimpedido facho de sol encontra uma brecha no meio das tristes nuvens gris, e, projetando-se por um breve momento como se fosse um importante holofote celeste, ilumina casualmente os passos arrastados de uma velha senhora que vem a sentar-se no banco da praça, como faz quase todo fim de tarde. A velha com o rosto ressequido, lanhado de rugas, tem os olhos cansados como se tivesse carregado o mundo inteiro por séculos. (mais…)

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